15
Jul 16

Itálico e siglas/acrónimos

Concordo que deve ser assim

 

      «Não é o board de editorialistas do NYT que vai escolher o próximo secretário-geral das Nações Unidas, mas em Abril estávamos claramente no acto I do processo. […] O NYT já terá descoberto que Guterres não
 usa quatro nomes, mas continua a não ser claro se os 20% de hipóteses de ganhar que 
o ex-primeiro-ministro português dizia ter subiram ou não» («Guterres, acto II», editorial, Público, 14.07.2016, p. 44). «Nesse dia, o DN dava conta de uma circular do Agrupamento
 de Escolas de Montemor-o-Novo onde os pais eram informados que nem o transporte escolar, nem o fornecimento de refeições, nem os prolongamentos de horário estavam assegurados na tarde de dia 10, já que a câmara dera dispensa aos funcionários do município para poderem ir à manifestação» («Quem paga os autocarros da CGTP?», João Miguel Tavares, Público, 14.07.2016, p. 48).

 

[Texto 6956]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | favorito
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30
Mar 16

O estranho «peemedebista»

Em que se fala (também) da GNR

 

      «Mais de cem membros da direcção nacional do PMDB aprovaram por voz e sob aplausos uma moção defendendo a saída imediata do Governo e exigindo que os peemedebistas (como são designados os membros do partido) com cargos no Governo os entreguem, sob pena de enfrentarem sanções do partido» («Saída do PMDB do Governo põe Dilma mais perto do impeachment», Kathleen Gomes, Público, 30.03.2016, p. 48).

      Eu sei que é assim que se diz no Brasil, peemedebista, não sei é se o leitor desprevenido — qualquer leitor do Público, por exemplo — saberá ler a palavra. Sim, apesar da explicação entre parênteses. Recentemente, também me falaram da palavra ceeletista (sim, eu lembro-me de que foi V., Percival), que pode suscitar igualmente problemas de leitura. Na verdade, tanto é assim que os dicionários a registam, com a grafia celetista. O que explica a diferença de registo dicionarístico? Não sei. Certo é que ambas as letras têm dois nomes: eme e mê, ele e lê. Voltemos a este lado do Atlântico. A sigla GNR, por exemplo, também se lê de duas formas diferentes (e podia ser de quatro, mas não quero agora falar disso): gê, ene, erre/gê, nê, erre.

 

[Texto 6718]

Helder Guégués às 20:42 | comentar | favorito
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22
Jul 15

Sobre siglas e acrónimos e seu desdobramento

Por uma vez

 

      «Uma equipa coordenada por Dora Brites, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, vai procurar conhecer melhor as causas da esclerose lateral amiotrófica (ELA), para tentar combater a progressão desta doença, tendo por isso ganho [sic] um prémio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML)» («Premiado projecto de investigação sobre a ELA», Público, 22.07.2015, p. 31).

    Ora cá estão dois bons exemplos: no desdobramento de abreviaturas, acrónimos e siglas, grafa-se com maiúscula apenas o que, pela sua natureza (nome de instituição, nome próprio, etc.), assim tiver de ser, não, como se vê na maioria dos casos, em traduções, jornais, televisões, tudo em maiúsculas. Infelizmente, nos jornais não há memória, e o que hoje se faz bem amanhã faz-se mal.

 

[Texto 6078]

Helder Guégués às 20:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Mar 15

Sobre «sigla»

Aprender com os erros?

 

      «“A indescritível dimensão das violações e dos abusos de direitos humanos, os assassinatos e a forma como são exibidos, as perseguições atrozes de grupos religiosos e étnicos — nomeadamente cristãos e yazidis — e os actos sistemáticos de violência sexual que vitimam mulheres e crianças não podem ficar impunes”, sentenciou. “A actuação desumana do autoproclamado ISIS [Estado Islâmico nas siglas inglesas] reforça a nossa determinação em erradicar este grupo terrorista que ameaça os valores e os princípios mais elementares que todos partilhamos”, sublinhou» («Rui Machete reivindica liberdade de expressão e defende papel dos jornalistas», Nuno Ribeiro, Público, 3.03.2015, p. 8).

      Tudo tão simples, mas é como se vê. Nuno Ribeiro, sigla, no singular, é nome da sequência formada pelas letras ou sílabas de palavras que constituem uma expressão. Logo, ISIS é uma sigla inglesa, não duas ou três.

 

[Texto 5626]

Helder Guégués às 21:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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13
Fev 15

«Um GNR»

Um tudo-nada estranho

 

      «Coitada, era filha de um guarda-republicano, estava-lhe o mau gosto na massa do sangue» (Explicação dos Pássaros, António Lobo Antunes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 26). É curioso que, na oralidade e na escrita, não se use muito; talvez se use mais «GNR». «Numa dessas noites, estava a mesa formada quando lá apareceu um GNR fardado» (Vida e Mortes de Faustino Cavaco, Faustino Cavaco e Rogério Rodrigues. Lisboa: ER-Heptágono, 1989, p. 168). Não deixa de ser estranho que se use uma sigla para designar um agente. Não por ser em maiúsculas, porque em minúsculas também é estranho: «Uma vez o gajo [Edmundo Pedro] ia num camião com uma carga valiosa: estava cheio de whisky e de tabaco... Um gnr manda-o parar, os gajos não podiam perder a carga...» (Entrevistas a Luiz Pacheco, VV. AA. Lisboa: Tinta-da-China, 2008, p. 212). Mas poucas vezes ouvi «um PSP», e nunca «um PJ». Assim, para os dicionários também tem de ir, pelo menos, GNR na acepção de agente da GNR (como está, por sugestão minha, «pide» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Claro que às siglas falta o que o acrónimo PIDE tem («nunca um acrónimo se abotoou tão bem à farda», escreve Ana Margarida de Carvalho em Que Importa a Fúria do Mar).

 

[Texto 5559]

Helder Guégués às 22:05 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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01
Out 14

É VPH

Está mal

 

 

      «Desde 2008 que as adolescentes portuguesas receberam três doses da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) para protecção contra o cancro do colo do útero. A partir de hoje, mudam as regras: as raparigas passam a ser vacinadas com apenas duas doses e o início da imunização foi antecipado dos 13 para os dez anos, informa a Direcção-Geral da Saúde (DGS)» («Vacina contra cancro do colo do útero dada em duas doses desde os dez anos», Alexandra Campos, Público, 1.10.2014, p. 8).

    Só os nossos jornalistas... Escreve, e bem, o nome da doença, vírus do papiloma humano, o que nem todos fazem bem, mas depois a sigla segue o nome em inglês, human papiloma virus.

      {#emotions_dlg.no}

[Texto 5103]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | favorito
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02
Jun 14

Abreviatura de «santos»

S., no plural

 

 

     «SS. Giovanni e Paolo, Igreja 18» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 159).

   Ah, sim, é só isto: a abreviatura de «santos». Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e para outros dicionários, SS é somente a sigla de «Segurança Social» ou de «Schutzstaffel», o Esquadrão de Protecção nazi. Já aqui vimos outra abreviatura com reduplicação, FFAA. E não escrevemos «pp.» para abreviatura de «páginas»? Em castelhano também é assim: CCOO, EEUU, FFAA...

 

[Texto 4661]

Helder Guégués às 13:40 | comentar | favorito
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12
Abr 13

«NATO/OTAN»

NATO

 

 

      OTAN na sigla portuguesa, pois, mas vejam como Botelho de Amaral se esqueceu ou lhe era indiferente: «Um speaker fez, por exemplo, referência aos países da NATO. Não mencionou Portugal. Advertido por mim, disse-me que a Espanha nada tinha que ver com a NATO. Ensinei-lhe História e Geografia» (A Língua Inglesa e a Vida em Londres, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, pp. 66-67). Ter o autor escrito este livro lá pelos Royal Parks londrinos, enquanto apanhava sol, há-de ter tido a sua influência...

 

[Texto 2757]

Helder Guégués às 10:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Mai 12

«PPP’s»

Mas é um bom exemplo

 

 

      «Quer isto dizer que numa democracia europeia será mais difícil a cada grupo controlar uma agenda em que os outros grupos se decidam por PPP’s? Admito: o exemplo é doloso» («A democracia na Europa», Pedro Lomba, Público, 24.05.2012, p. 48).

      Em português, o apóstrofo serve apenas para assinalar a elisão de uma ou mais letras. Que letra ou letras suprimiu, Pedro Lomba? Ah, e as siglas não têm plural.

 

[Texto 1578]

Helder Guégués às 07:24 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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16
Mai 12

A sigla SMS

Ora esta

 

 

      «Relvas recebeu sms e emails de Silva Carvalho com propostas para secretas» (Maria José Oliveira, Público, 16.05.2012, p. 8). Pois é, no Público grafam assim uma sigla de três letras. Isso é muito estranho.

 

[Texto 1532]

Helder Guégués às 15:11 | comentar | favorito
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19
Abr 12

Plural das siglas

Mais do que desaconselhável

 

 

      «No passado dia 30 de Março decorreu em Luanda a VII Reunião de Ministros da Educação [ME’s] da CPLP para, entre outros assuntos, discutirem a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 [AO]» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).

      Sigla pluralizada? Alguns querem... Mas com apóstrofo, sinal de elisão, a elidir o quê? E os parênteses rectos?

 

[Texto 1394]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | favorito
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