02
Fev 18

Topónimos em português

Muito bem

 

      «Pelo menos cinco pessoas morreram na queda de dois helicópteros do Exército francês. O acidente aconteceu perto do lago Carcès, no sudeste da França. [...] Carcès é uma comuna francesa na região administrativa da Provença-Alpes-Costa Azul, no departamento de Var, no sudeste da França» («Acidente com dois helicópteros faz cinco mortos em França», Rádio Renascença, 2.02.2018, 9h24).

      É só querermos, e tudo fica em português. Sim, Provença-Alpes-Costa Azul, e não, como outros escreverão, Provence-Alpes-Côte d’Azur.

 

[Texto 8665]

Helder Guégués às 09:48 | comentar | favorito
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16
Jan 18

Silva Escura

Coisas da selva

 

      «Um homem de 69 anos matou a mulher de 66 anos e tentou cometer suicídio, esta terça-feira de manhã, na residência do casal, em Silva Escura, Sever do Vouga, disse à Lusa fonte da GNR» («Idoso matou a mulher e tentou cometer suicídio», Rádio Renascença, 16.01.2018, 14h05).

      Interessante este topónimo, Silva Escura. Saberão os nossos leitores que «silva», etimologicamente, significa «selva»? Sabiam? Cuidado com o nariz. Sim, há registos de que esta localidade já tinha este nome numa época anterior ao século X, sendo já habitada nessa altura, e era então coberta, precisamente, por cerrada selva — a silva do nome. E há mais Silvas no País.

 

[Texto 8588]

Helder Guégués às 19:26 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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15
Jan 18

Trebizonda, rapaziada da RR

Eles sabem lá

 

      Já viram as imagens de um avião que falhou a pista e quase caiu na água, na Turquia? Na Rádio Renascença (aqui) escrevem que «o aparelho da Pegasus Airlines tentava aterrar no Aeroporto de Trabzon, na Turquia». Coitados, nunca ouviram falar em Trebizonda. Parece que só já nas agências de viagem sabem que sempre foi este o nome em português desta cidade turca que já teve vários nomes e variantes ortográficas.

 

[Texto 8580]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | favorito
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08
Nov 17

Ortografia: «Hébron»

Ou não sei nada

 

     Já li alguma coisa da Bíblia, sim, mas não me lembrava nada de Macpela. É o nome de um campo, um terreno, e de uma caverna na vizinhança (Cave of Machpelah, para a legião de anglófonos que nos segue) de Hébron, comprados por Abraão ao hitita Efrom por 400 siclos de prata. A caverna serviu de sepultura para Sara, esposa de Abraão, e pelo menos para mais cinco outras personagens: Abraão, Isaac, Rebeca, Jacob e Lia. Está tudo no Génesis. Isto está tudo muito bem, acho eu, mas porque é que na reputadíssima Bíblia dos Capuchinhos se lê Hebron e não Hébron? Não é assim? Éden, hífen, Hébron, Sídon, Sólon...

 

[Texto 8309]

Helder Guégués às 12:41 | comentar | favorito
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13
Set 17

Topónimos

É escolher

 

      «Emmanuel Macron andou pelas ruas de St. Martin e garantiu que a ilha “vai renascer”» («Furacão “​Irma”. Presidente francês foi ver o que resta de St. Martin», Rádio Renascença, 13.09.2017, 1h16). «O Presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir rapidamente as ilhas de São Martinho e São Bartolomeu, nas Caraíbas, destruídas pelo furacão Irma» («Macron promete reconstruir ilha de São Martinho», Público, 13.09.2017, p. 25).

 

[Texto 8148]

Helder Guégués às 11:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Set 17

Goreia, Goreia, Goreia — escreva vinte vezes

Sempre actual

 

      «Ocasionalmente, este torpor sofre abalos. O mais recente ocorreu há meses, no rescaldo das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa em Gorée que refletem os estereótipos dessa amnésia: a evocação de um alegado “pioneirismo” – mais um – de Portugal na abolição da escravatura, como reflexo da sua “vocação humanista”. A reação às suas palavras traduziu-se, fundamentalmente, num apelo a um debate aberto – e livre das velhas retóricas – sobre a nossa memória coletiva do período colonial e, em particular, do tráfico de escravos» («Torres de marfim e poeira amnésica», Paulo Jorge de Sousa Pinto, Público, 28.07.2017, p. 44).

      Para um historiador, não está mal — está péssimo. Em francês é Gorée, mas em português é Goreia. É, pois, o ensejo para republicar um texto de 2007 do Assim Mesmo sobre esta questão: «Os topónimos estrangeiros por vezes dão a volta à cabeça das pessoas. Sobretudo dos revisores. Há certo tempo, um autor insistia em escrever “Gorée”, a pequeníssima ilha ao largo de Dacar que foi entreposto de escravos e é actualmente Património Mundial da Humanidade. Descoberta em 1444 pelos Portugueses, o nome foi-lhe dado pelos Franceses, que se assenhorearam dela no final do século XVII. Desde então, decorreu tempo suficiente para o topónimo ter sido, como foi, aportuguesado para Goreia. Em Fevereiro de 1992, o Papa João Paulo II visitou a ilha, pedindo então, em nome dos Europeus, perdão por todo o mal causado a África ao longo dos séculos. Também George W. Bush esteve, em 2003, na Goreia, assim como, antes dele, Bill Clinton. Durante a visita de Bush, as autoridades de Dacar decidiram limpar as ruas de vendedores e de outras personagens igualmente conspícuas, concentrando-as num campo de futebol. Que ironia. Como acto simbólico, a visita é muito comovedora, sim, mas o pior é o que os Estados Unidos fizeram e continuam a fazer em África. O Darfur é um exemplo bem claro.»

 

[Texto 8122]

Helder Guégués às 09:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Coli Sare»

Queremos saber

 

      Se virmos um mapa da Guiné-Bissau, o que encontramos é Coli Sare, e não Cóli-Sari, ali no triângulo formado por Farim, Olossato e Mansabá. Surpreende, no entanto, haver tão poucas referências à toponímia das ex-colónias portuguesas, isto num momento em que se publicam tantos livros sobre a Guerra Colonial. As aldeias dos Fulas com sare ou sara no nome significa que eram antigas; se tinham sintchã ou sintcham no nome, eram de fundação recente.

 

[Texto 8116]

Helder Guégués às 06:15 | comentar | favorito
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22
Ago 17

Léxico: «Ísquia»

Quão diferentes

 

      «Abalo de 4.0 atingiu a ilha de Ischia. Primeiro balanço aponta para dois mortos e 39 feridos» («Sismo em Itália. Bebé resgatado com vida dos escombros», Rádio Renascença, 22.08.2017, 6h59). «Um sismo de magnitude 4 na escala de Richter abalou a ilha de Ísquia, no Golfo de Nápoles, sul de Itália, provocando a morte de duas pessoas, além de danos materiais» («Sismo na ilha de Ísquia, em Itália», TSF, 21.08.2017, 22h36).

      Talvez só se encontre a grafia Ísquia na segunda metade do século XX — Rebelo Gonçalves, por exemplo, não regista o topónimo —, mas basta pensar: o que está em harmonia com a nossa língua, Ischia ou Ísquia? Não, não não sabemos todos o mesmo. Não, não temos todos o mesmo cuidado.

 

[Texto 8102]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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29
Jan 17

A importância da ortografia

Entretanto, em Espanha

 

      De manhã, estive a ouvir a rubrica «Verba Volant», do Professor Emilio del Río, no programa No es un día cualquiera, de Pepa Fernández, na Rádio Nacional de Espanha. (Tão-só o melhor programa radiofónico da Península Ibérica, na minha opinião.) Falavam de topónimos invulgares. Em Espanha, no tempo de Franco, algumas pessoas iam para a beira da estrada, à passagem do caudilho por certas localidades, manifestar o seu apoio com cartazes. Se eram de Lerma, o cartaz dizia «Lerma con Franco»; se eram de Laño, dizia «Laño con Franco», e por aí fora. Ora, um dia, os de Revilla Cabriada, um topónimo estupendo, foram saudar o ditador, que ia num descapotável e leu o cartaz: «Revilla Cabriada con Franco». O ditador, cabreado como una mona, como se diz em castelhano, porque com poucas luzes de ortografia, mandou logo dois picoletos (outro termo que falta no Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora) pedirem satisfações aos supostos descontentes.

 

[Texto 7443]

Helder Guégués às 14:49 | comentar | favorito
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26
Jan 17

Afinal, agora também se diz Chéquia

Mais curto e informal

 

    E a propósito de alteração de topónimos, no ano passado, uma comissão constitucional da República Checa aprovou a tradução para as línguas oficiais da ONU do topónimo simplificado Cesko, que em inglês será Czechia, em espanhol Chequia e em francês Tchéquie. Ficamos de fora, sim, mas para quem quiser, em português é Chéquia. Será também um nome oficial, mas menos formal, que se usará em rótulos de produtos — na Pilsner Urquell, por exemplo —, em acontecimentos desportivos, etc.

 

[Texto 7435] 

Helder Guégués às 21:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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