23
Mai 17

Léxico: «guarda-barreira»

Na fronteira

 

      O pobre Oliver Twist, na sua fuga de casa do cangalheiro, só se safou graças à ajuda compadecida de uma velhota e de um guarda-barreira (turnpikeman). Não, por acaso até ainda se mantém no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Não se pode é dizer o mesmo de turnpikeman, que não encontramos no Dicionário de Inglês-Português. Ora, se o dicionário apenas regista turnpike, dificilmente quem o consulta chegará ao termo «guarda-barreira». Duas vezes por semana, também eu passo por uma antiga barreira destas, mas em Lisboa, as Portas de Benfica, que no século XIX era uma das vinte e seis entradas na cidade.

 

[Texto 7863]

Helder Guégués às 17:21 | comentar | favorito
18
Mai 17

Envergar?

They had

 

      Quando (não se, é uma certeza) formos ciborgues, os tradutores já não vão escrever desta forma parva: «Envergavam espadas curtas, etc.»

 

[Texto 7849]

Helder Guégués às 10:56 | comentar | favorito
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«By my beard»

Pela barba de Júpiter!

 

      Sim, a tradutora ignorou aquele «by my beard». Eu sei, eu sei: não se traduz tudo. Mas, caramba, este é um juramento que já vem da Antiguidade, Gregos e Romanos juravam pela barba de Júpiter. Nas fábulas, até o leão jura pela sua barba. Par ma barbe!

 

[Texto 7847]

Helder Guégués às 08:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Mai 17

Tradução: «quinquennat»

Não inventem

 

      No Jornal da Tarde, na RTP1, a propósito da tomada de posse de Emmanuel Macron, falaram do «quinquenato» (2012-2017) de François Hollande. Pois é, só que em português diz-se quinquénio; quinquennat é francês.

 

[Texto 7832]

Helder Guégués às 14:07 | comentar | ver comentários (2) | favorito
13
Mai 17

Tradução: «Berner Oberland»

Agora em português

 

      Isso mesmo: como traduzir Berner Oberland? Já vi que, para alguns tradutores, deixar assim é suficiente para o leitor compreender. Não concordo, é claro. Também não quero usar o adjectivo «bernês/bernense». Não poderá ser «planato de Berna»?

 

[Texto 7829]

Helder Guégués às 20:02 | comentar | favorito
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08
Mai 17

Ainda sobre «favela»

Cada coisa em seu lugar

 

      Que coincidência, hein? Tenho muita sorte. «O jornalista e escritor argentino Bernardo Verbitsky (1907-1979). Em 1957 cunhou o termo villas miserias para definir os bairros degradados que se erguem nas margens das cidades argentinas» («Biscoitos de S. Bernardino», O Meu Papa, ed. n.º 6, 5.05.2017, p. 41).

      Pois é, caro Luís Seabra Duque, não precisamos de «favela». Cada coisa no seu lugar: as villas miserias argentinas, as favelas brasileiras, as callampas chilenas, as colonias mexicanas, os barrios brujos panamenhos, os cantegriles uruguaios, as poblaciones nuevas peruanas, e por aí fora.

 

[Texto 7807] 

Helder Guégués às 15:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Mai 17

Tradução: «rookie»

Mas não chega

 

     «Indy 500: Alonso passa o teste de ‘rookie’ com distinção» (Nuno Barreto Costa, Autosport, 5.05.2017).

    O Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora diz-nos apenas isto: «MILITAR calão recruta». Não chega, não é só isto. É novato, em qualquer âmbito ou actividade. No campo desportivo, especificamente, é «a first-year player, especially in a professional sport». Um dicionário bilingue tem de registar estes diferentes sentidos, ou não será útil.

 

[Texto 7798]

Helder Guégués às 15:07 | comentar | ver comentários (4) | favorito
04
Mai 17

Fachos portugueses e franceses

Com ovos, não com balas

 

      «À chegada de Le Pen à empresa de transportes, em Dol-de-Bretagne, cerca de 50 manifestantes gritaram “Fora com os fachos!” e “A senhora não tem nada a fazer aqui”, ao mesmo tempo que lançavam ovos na direção da candidata da Frente Nacional no momento em que saía do automóvel» («Le Pen recebida com ovos em visita a empresa na Bretanha», TSF, 4.05.2017, 15h47). Sim, e em francês é exactamente igual: «Son service d’ordre a immédiatement réagi pour mettre la candidate d’extrême droite à l’abri. Les œufs ont vraisemblablement été lancés par un groupe d’opposants. Ils étaient une cinquantaine à scander des slogans hostiles tels que “Dehors les fachos” ou “Vous n’avez rien à faire ici, Madame”» («Marine Le Pen accueillie par des jets d’œufs à Dol-de-Bretagne», Claire Tervé, HuffPost, 4.05.2017, 14h13). É um pouco estranho que em francês seja também facho. Não terá sido forjado à semelhança de anarcho?

 

[Texto 7791]

Helder Guégués às 20:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «estrangeiridade»

Cadê a palavra?

 

      Continuo aqui com o homem do bigode, o filósofo de Friburgo, e, a determinado passo, leio «die Fremde». Pânico nos dicionários! O Aulete, porém, salva tudo (queiram parabenizá-lo por mim), pois regista estrangeiridade: «Característica ou condição do que é estrangeiro.» E registe-se que a palavra é usada também cá deste lado do Atlântico, pois claro, faz falta.

 

[Texto 7785]

Helder Guégués às 11:06 | comentar | ver comentários (4) | favorito
03
Mai 17

Tradução: «[die] Hütte»

Um espaço para pensar

 

      «Wenn der Sturm um die Hütte heult, etc.» Qual chalé! Então não se sabe que Heidegger tinha uma cabana na Floresta Negra? Até há obras com esse título, como a do arquitecto Adam Sharr, Heidegger’s Hut. É, de facto, uma cabana (como a de Henry David Thoreau), não mais do que isso, um refúgio que mandou construir e para onde se mudou no Verão de 1922.

 

[Texto 7778]

Helder Guégués às 06:59 | comentar | favorito
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