01
Mar 17

Léxico: «auspicar»

Fora dos dicionários

 

      Ora cá está um verbo que nunca tinha visto fora dos dicionários: «A todos os leitores, sobretudo aos confrades, auspico que esta viagem pelas avenidas da memória, etc.» Os dicionários remetem simplesmente para o verbo auspiciar, variante muito mais conhecida.

 

[Texto 7517]

Helder Guégués às 17:24 | comentar | favorito
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19
Dez 16

«Galáxico»?

Já vimos outros casos

 

      De vez em quando, vejo o adjectivo «galáxico», como agora mesmo, e a autora é licenciada em Filologia Românica. Lembram-se, decerto, da dupla torácico/toráxico, que defendi há uns anos, com o argumento de que, se o primeiro o herdámos, o segundo se formou na nossa língua. O argumento, quanto a «galáxico», não pode ser outro. Ainda supus que em galego se escrevesse desta forma, mas não.

 

[Texto 7338]

Helder Guégués às 22:58 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Altifalante/alto-falante»

Não é preciso acrescentar

 

     Temos altifalante e alto-falante, mas a autora obedeceu ao que a etimologia pede e acrescentou uma terceira forma: «autofalante». Talvez — quem sabe? — tenha levado a vida inteira a dizer e a escrever desta maneira.

 

[Texto 7337]

Helder Guégués às 12:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Dez 16

Léxico: «riodonorense»

Querem ver?

 

      «Do outro lado da raia, que aqui nunca existiu, está Rionor espanhol. Um povo que agora tem 12 habitantes. Sempre fizeram vida com eles. De um lado e do outro. As regras de Franco e Salazar pouco se sentiam. O que mais se ouvia eram os sons das festas quando se casavam rionorenses espanhóis com riodonorenses portugueses, diz Norberto Preto» («INATEL leva Rio de Onor a Lisboa», Afonso de Sousa, TSF, 7.12.2016).

   Querem ver que os próprios se querem riodonorenses e não riodonoreses, única variante, esta última, que está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa? Algum leitor compassivo nos ajude neste transe.

 

[Texto 7309]

Helder Guégués às 16:48 | comentar | favorito
23
Nov 16

«Congregacionalismo/congregacionismo»

Muitas sílabas

 

      Congregacionalismo e congregacionismo. Há de tudo: dicionários que não registam nenhum dos termos; dicionários que acolhem os dois; dicionários que registam apenas um deles. Só nos interessa os que registam ambos os termos. Entre estes está o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que define congregacionalismo como a (1) «defesa do direito das congregações de administrarem os seus assuntos, sem estarem sujeitas a uma instituição religiosa superior» e (2) o «conjunto das igrejas (protestantes) organizadas segundo esse princípio». Quanto a congregacionismo, que custa um pouco menos a pronunciar, diz que é a «forma de organização eclesiástica protestante que defende a autonomia das igrejas locais». Ou seja, são sinónimos, variantes, e por isso cabe perguntar: são mesmo necessários os dois termos? Há centenas, milhares de variantes que opulentam a língua — mas será o caso?

 

[Texto 7269]

Helder Guégués às 15:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Out 16

Léxico: «corcundo»

Sorte marreca

 

      Hoje, na rubrica da Renascença «Os porquês da Miriam», Miriam Gonçalves foi para a rua perguntar a quem passava porque é que se diz que a sorte é marreca. Cada um disse o que sabia — pouco ou nada, como habitualmente —, mas o que importa é que, no estúdio, o locutor (Óscar Daniel?) falou de «certos corcundos» entre os Romanos. Ora, nunca eu tinha ouvido senão «corcunda», única forma que encontro nos dicionários. No entanto, pelo que pude ver, lá que se usa «corcundo», isso é certo, e eu nunca enjeito uma variante.

 

[Texto 7140]

Helder Guégués às 08:33 | comentar | favorito
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29
Set 16

Léxico: «estrépido»

Sim, porque será?

 

      Eu disse «estrépido», mas era só para provocar. «Deve querer dizer “estrépito”, não é?» Não era. «Se formos ver ao dicionário que tanto cita, é “estrépito” que lá encontra, e não “estrépido”. Porque será?» «Há às vezes um homem gordo que ressona com estrépido — a coisa que mais envenena o sangue e a bílis dos homens magros que não podem dormir!» (Banhos de Caldas e Águas Minerais, Ramalho Ortigão. Lisboa: Livraria Clássica Editora, A. M. Teixeira & C.ª (filhos), 1944, p. 279).

 

[Texto 7128]

Helder Guégués às 14:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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12
Set 16

Corruptela ou variante

Porque ainda há marialvas

 

      «O terraplano de Santos, em Lisboa, será palco da primeira Feira do Cavalo, entre os dias 13 e 18», lia-se recentemente no Correio da Manhã. Será que tenho de explicar porque é que «terramoto» é variante de «terremoto», mas «terraplano» é corruptela de «terrapleno»?

 

[Texto 7079]

Helder Guégués às 23:21 | comentar | favorito
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07
Ago 16

«Hússar/hussardo»

Mais um par

 

      «Sandhurst terminara satisfatoriamente, no sentido em que se tornara um cavaleiro ousado e hábil e se formara com a 20.ª classificação numa turma de 130, antes de se alistar como corneteiro no quarto regimento dos Queen’s Own Hussards» (O Fator Churchill, Boris Johnson. Tradução de José Mendonça da Cruz. Alfragide: Publicações D. Quixote, 2015, p. 75).

      Não é assim tão raro o tradutor corrigir deslizes do autor, mas não é o caso. No original, lê-se, de facto, e está correcto, Queen’s Own Hussars, o que constitui uma boa oportunidade para lembrar que há duas variantes: hússar e hussardo.

 

[Texto 7007]

Helder Guégués às 17:29 | comentar | favorito
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08
Jul 16

«Nógado/nogado»

Queremos os dois

 

      «Quando puder trabalhar a massa enforme em rolo. O nógado deve ser servido depois de frio» (Doçaria dos Conventos de Portugal, Alfredo Saramago e Manuel Fialho. Lisboa: Assírio & Alvim, 1997, p. 88).

    Os dicionários — erradamente, diga-se — insistem em registar somente «nogado». Ora, pelo menos no Sul, e é de lá que este doce provém (e o étimo, como já aventei, será castelhano), é pronunciado como esdrúxulo. Se lhe quiserem tirar o acento, tirem-no também, por exemplo, de «fígado» — são capazes? A semelhança é perfeita, sobretudo para quem lhe vislumbra como étimo nogatum. É que «fígado», de ficătum, também devia pronunciar-se com acento no a, por ser uma forma participial em -ado. Senhores lexicógrafos, vamos lá registar as duas variantes.

  

[Texto 6943]

Helder Guégués às 19:33 | comentar | favorito
01
Jul 16

Léxico: «descaminhar»

E está certo

 

      «Já a Judiciária confirmou que, durante as buscas, foram apreendidos “diversos bens culturais e artísticos que terão sido descaminhados de instituições públicas» («PJ descobriu móveis antigos desviados da Presidência», Carlos Rodrigues Lima, Diário de Notícias, 1.07.2016, p. 4).

      Está certo: descaminhar é sinónimo e variante de desencaminhar.

 

[Texto 6924]

Helder Guégués às 21:59 | comentar | favorito
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