«Temerosamente/temerariamente»

Mas não queremos

 

      «Vários especialistas recusaram fazer a perícia às músicas de Tony Carreira por receio da dimensão do artista, indica a resposta da Inspecção das Actividades Culturais enviada quase dois anos após o pedido de perícia feito pelo Ministério Público. [...] No documento, o inspector-geral da IGAC explica as razões das recusas: “Por um lado, pela especialidade dos conhecimentos musicais exigíveis, por outro, porque nos contactos efectuados a pessoas com conhecimentos desta natureza, estas têm temerariamente recusado a colaboração ou demonstrado indisponibilidade, fundamentalmente alegando a dimensão do artista, sucesso comercial das obras e receio de futuro litígio em que se possam ver envolvidos”» («Ministério Público propôs acordo entre Tony Carreira e editora que se queixou do cantor», Rádio Renascença, 21.09.2017, 15h07).

      Nenhum especialista aceita fazer a perícia por receio — logo não é temerariamente que o fazem, mas temerosamente. Isto é temerar a língua, isso sim. Não tanto, mera confusão, mais uma. Se quiséssemos enviesar o sentido da frase, diríamos que os especialistas recusaram temerariamente o pedido/proposta da IGAC. Sem receio.

 

[Texto 8164]

Helder Guégués às 20:16 | comentar | favorito (1)
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