25
Ago 19

Léxico: «poliquetas»

Parece-me importante

 

      Quem diria: «157 decibéis é o volume do ruído que os pequenos vermes marinhos chamados poliquetas podem produzir. Os seres de apenas 29 milímetros fazem os sons mais altos registados no oceano» (Notícias Magazine, 28.07.2019, p. 8).

      É a informação que falta na definição de poliquetas no dicionário da Porto Editora: «ZOOLOGIA classe de invertebrados do grupo dos anelídeos, dióicos e quetópodes, a maioria dos quais marinhos, cujas sedas locomotoras estão dispostas em grupos inseridos em parápodes (inclui espécies utilizadas como isco para pesca, alimento em piscicultura, etc.)». E não serão antes cerdas? Há largos milhares de espécies, mas, quanto às marinhas, vivem em águas tropicais do Pacífico e do golfo do México. São as cerdas destas que podem penetrar a pele e produzir envenenamento gravemente doloroso.

 

[Texto 11 885]

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24
Ago 19

Léxico: «pinguim-azul»

Ainda não temos este

 

      «Dois pinguins-azuis foram recentemente capturados pela polícia, depois de terem “invadido” um restaurante de sushi em Wellington, capital da Nova Zelândia» («Pinguins fazem ninho em restaurante de sushi», Filomena Abreu, Notícias Magazine, 28.07.2019, p. 8).

      O pinguim-azul ou pinguim-fada (Eudyptula minor) é a mais pequena de todas as espécies de pinguim em todo o mundo. Ainda assim, não cabe nos nossos dicionários.

 

[Texto 11 884]

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23
Ago 19

Léxico: «museografar»

Pois anda por aí

 

      «A reconstituição da Bouça foi a primeira museografia do SAAL [Serviço Ambulatório de Apoio Local], ao vivo. Em Serralves, conclui-se que museografar um momento revolucionário implica uma simplificação, e uma contenção, talvez necessárias para que o conhecimento possa avançar» («O SAAL chegou ao museu», Jorge Figueira, Público, 17.12.2014, 2h09).

      Pois, não se vê muito — mas o adjectivo/particípio, museografado, vai-se vendo aqui e ali, e também não está nos nossos dicionários.

 

[Texto 11 883]

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22
Ago 19

Léxico: «manjoeiro | charniqueiro»

Vejam lá isso bem

 

      «Manjoeiros. Também conhecidos como charniqueiros, são o doce típico [de Loures]» («O primeiro concelho a abraçar a República», Catarina Mendes, Jornal de Notícias, 2.08.2019, p. 46).

      Aqui tão perto. Nos nossos dicionários, nada de nada. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista como adjectivo relativo à charneca charnequeiro, mas o certo é que relativo à Charneca, povoação do concelho de Almada, há vocabulários que registam charniqueiro. Portanto, vejam lá isso. Manjoeiro, recorde-se, é também topónimo.

 

[Texto 11 882]

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21
Ago 19

Léxico: «vlogue»

Talvez nunca

 

      «Boram fez fortuna através dos dois canais que tem no YouTube: um em que apresenta críticas a brinquedos e outro em que publica ‘vlogs’, vídeos que documentam o seu dia a dia com uma mestria que já a tornou rica» («Boram. Youtuber com seis anos compra casa de sete milhões», Jornal de Notícias, 2.08.2019, p. 37).

      Como é muito menos usado, talvez os escribas indígenas nunca cheguem a ponderar que não há razão para não o aportuguesar, como aconteceu com «blogue». Alguns, de resto, julgando prestar um melhor serviço à língua, quando não à sua própria preguiça física e mental, escrevem «blog». Atroz. Embora haja escreventes de todas as classes, províncias, idades, seitas, sexos e todos os estágios de demência a escrever «blog», inclino-me a crer, na minha visão psicologista, que são os neofóbicos que mais o fazem.

 

[Texto 11 881]

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20
Ago 19

Disparates na CMTV

Outro nível

 

       «José Pedro, de 21 anos, estava internado no Hospital Psiquiátrico de Viseu e foi pedir ajuda à prima Cristina Ferreira, que o acolheu em sua casa. Sofreu um ataque de fúria e proferiu vários golpes de faca contra a familiar, matando-a sem piedade. Depois atirou-se da varanda do apartamento para a rua, sofrendo ferimentos muito graves» («O jovem de 21 anos foi presente a um juiz do Tribunal de Viseu, a quem acabaria por confessar o crime», Luís Oliveira, CMTV, 29.07.2019, 11h59).

      Proferir golpes de faca! Estes repórteres da CMTV estão noutro nível. Um nível, diga-se, que já em 2011, no tempo da PàF, Pedro Lomba atingira com o seu inenarrável «bramindo o estandarte», que nunca esqueceremos. Conhecem as palavras, sim, mas de outiva.

 

[Texto 11 880]

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19
Ago 19

Léxico: «híper | híperes»

E também é necessário

 

      «Híperes. A Associação Portuguesa de Distribuição quer que os serviços mínimos incluam, pelo menos, o transporte de alimentos» («Camiões podem “travar” 1,5 mil milhões de euros», Pedro Araújo, Jornal de Notícias, 2.08.2019, p. 4). Está, e bem, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, assim como noutros — mas não encontramos o plural, que tantas vezes vejo errado.

 

[Texto 11 879]

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18
Ago 19

Léxico: «adquirido»

Este ainda não foi adquirido

 

      «A leitura é um adquirido civilizacional tão frágil como todos os outros. Não vive sozinha, vem em pacote com o modo como as sociedades evoluem, com a economia, a política e a religião, incrusta-se na educação para o bem e para o mal, e acompanha as grandes tendências dessa coisa intangível que é a “mentalidade”, a “visão do mundo”, aquilo que os alemães, que têm as melhores palavras para a filosofia, chamam Weltanschauung» («Ler a Guerra e Paz num ecrã de telemóvel», José Pacheco Pereira, Público, 27.07.2019, p. 8).

      Para começar pelo princípio: em alguns dicionários, adquirido nem sequer está registado. Pela consulta do dicionário da Porto Editora, o leitor também não vai longe, pois a acepção que acolhe é jurídica (no plural, adquiridos, «DIREITO bens obtidos pelos cônjuges a título oneroso depois do casamento»).

 

[Texto 11 878]

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