02
Abr 20

Pontos cardeais

Aproveitem agora

 

      «Mais a Sul, em Coimbra, uma mulher de 88 anos foi a primeira vítima mortal do lar residencial da Obra Social de Torre Vilela, instituição que regista mais nove casos de Covid-19, três utentes que estão hospitalizadas e seis funcionárias que “estão em confinamento domiciliário, depois de terem acusado positivo”, referiu o delegado de saúde José Pereira de Almeida» («Lares de Norte a Sul do País com 40 mortes por Covid-19», J. S. e M. F., Correio da Manhã, 2.04.2020, p. 31).

      Aos pares — estou farto de o dizer — é sempre pior, porque descansa um no outro, o que só não dá fiasco quando um, o que faz, sabe o que faz. Está errado. Agora que têm mais tempo, estudem um pouco esta questão dos pontos cardeais. Vá lá, tiremos qualquer coisa de útil desta reclusão.

 

[Texto 13 080]

Helder Guégués às 14:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

E o AO90, como vai?

Falta a certidão de óbito

 

      «Crentes, agnósticos e ateus terão, pelo menos, a característica comum de gostarem de desfrutar um fim-de-semana prolongado na companhia de familiares e amigos. Não vai acontecer na Páscoa de 2020. O estado de emergência que vigora em Portugal será prolongado» («Só mais um bocadinho», João Cândido da Silva, coordenador do Expresso Online, Expresso Curto, 2.04.2020).

      «Fim-de-semana»? Mas o Expresso não seguia o Acordo Ortográfico de 1990? Bem, seguem-se «optimismo», «aspectos», «actividades», «direcção-geral», «perspectiva», mas também «diretor-geral», «infeção», «diretos», «ato» e um largo etc. de uma ortografia e da outra. Isto é uma farsa e uma inaudita forma de desrespeito aos leitores e à língua.

 

[Texto 13 079]

Helder Guégués às 14:15 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Não me parece difícil

Entretanto, em Angola

 

      O Jornal de Angola anda atrapalhado com o género de covid-19 (sim, não vou escrevê-la como a Porto Editora). Hesita, vacila, tropeça, mas vai estabilizando no erro: «Sem um comunicado oficial detalhado, as autoridades governamentais anunciaram, nos órgãos de comunicação social, o reforço das acções de combate à Covid 19» («Entre acções exemplares, minimalistas e a progressão da pandemia», Santos Vilola, Jornal de Angola, 31.03.2020, p. 3). «Segundo o secretário de Estado para a Saúde Pública, com o esvaziamento dos centros de quarentena pretende-se transforma-los [sic] em unidades hospitalares para casos leves de pessoas infectadas pelo Covid-19» («Casos positivos no país sobem para oito», Mazarino da Cunha, Jornal de Angola, 2.04.2020, p. 3).

 

[Texto 13 078]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Como se escreve (e pensa) por aí

Em várias modalidades

 

      O Correio da Manhã não é apenas campeão de vendas — com mais frequência do que é normal, também é campeão da parvoíce: «Até hoje, a pandemia de Covid-19 já infetou mais de 4000 pessoas e matou pelo menos 117 no país brasileiro. “Está preparado para o pior cenário, com camiões do Exército a transportar corpos (de vítimas do Coronavírus [sic]) pelas ruas? Com transmissão ao vivo na Internet e na televisão?”, perguntou Luiz Hnerique [sic] Mandetta, em tom de desafio a Bolsonaro» («Bolsonaro ignora conselhos de ministro da saúde e cumprimenta comerciantes em Brasília», Correio da Manhã, 29.03.2020, 18h01).

 

[Texto 13 077]

Helder Guégués às 13:45 | comentar | favorito

Como se traduz por aí

Isso mesmo, só visto

 

      «Sou como Tomás, preciso de tocar para acreditar» (Embalando a Minha Biblioteca, Alberto Manguel. Tradução de Rita Almeida Simões. Lisboa: Tinta-da-China, 2018, p. 21). Thomas, já dizia a nossa avó inglesa, não é assim, Rita Almeida Simões?

 

[Texto 13 076]

Helder Guégués às 13:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

O plural de «híper»

Ainda não vão lá

 

      Boa parte dos nossos jornalistas ainda não sabem pluralizar o vocábulo «híper», vá-se lá saber porquê. Até, para ser sincero, me surpreende que neste caso estivesse bem acentuado. Mas é como eu já aqui escrevi, a rádio era ágrafa há meia dúzia de anos, e isso ainda se nota muito. «Há uma preocupação acrescida entre os portugueses com o armazenamento de produtos de higiene pessoal e do lar. Estes produtos aumentaram as vendas nos hípers e supermercados nacionais em 95% com destaque para o papel higiénico em que as compras triplicaram. Os produtos alimentares também cresceram em 91%» («Coronavírus. Portugueses triplicam compra de papel higiénico», João Carlos Malta, Rádio Renascença, 30.03.2020, 12h37). O erro tem sempre variantes: «Foi uma verdadeira corrida ao super e hipermercados para preparar a despensa para enfrentar a pandemia na segunda semana de março» («Na semana dois da pandemia, com que encheram as dispensas os portugueses?», Ana Marcela, Dinheiro Vivo, 30.03.2020, 11h01).

 

[Texto 13 075]

Helder Guégués às 13:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

O que se escreve por aí

Nada de bom

 

      «Quarenta e cinco anos de vida, 13 de carreira, seis álbuns de originais. O longo e certo percurso musical de Shahryar Mazgani (nascido na antiga Pérsia e chegado a Portugal aos 4 anos, em fuga da Revolução Islâmica) leva-nos a crer que nunca houve, na vida do artista, uma alternativa às canções» («A fuga de Mazgani», Beatriz Silva Pinto, GC, Março de 2020, p. 18).

    Está, evidentemente, errado, Beatriz Silva Pinto. Mazgani tem quarenta e cinco anos de vida, o Irão tem oitenta e cinco anos de vida.

 

[Texto 13 074]

Helder Guégués às 13:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,