Acordo Ortográfico

O novo português

 

 

      Sabem qual é a «Melhor Revista de Educação ‘11»? Segundo outra publicação, a Meios & Publicidade, é a Pais & Filhos. A edição de Setembro promete-nos logo na capa revelar «o que mudou no ensino do português». O artigo da página 70 e seguintes, assinado por Ana Sofia Rodrigues, ainda é mais arrasador: «O novo português». Sobre o uso do hífen, pode ler-se na página 73: «Algumas palavras são formadas com a adição de prefixos. Nesse caso passam, por princípio, a escrever-se sem hífen, como autorrádio, eurodeputado, ultraligeiro, minissaia, contrarrelógio, autoestrada. Algumas das exceções nas quais continua a usar-se hífen: a palavra a que se juntam começa pela letra ‘h’ (anti-histamínico); a palavra a que se juntam começa pela mesma vogal com que termina o prefixo (micro-ondas); sota-, soto-, vice-, grão-, grã- ou ex- (ex-marido, vice-presidente); quando os prefixos são acentuados graficamente (pré-reforma); a palavra a que se juntam é um estrangeirismo, nome próprio ou sigla (anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS).» Está bem visto, sim senhor. Vai, aliás, ao encontro do que tenho defendido — mas a verdade é que o texto do Acordo Ortográfico só por duas vezes se refere a siglas, e nenhuma delas a propósito do hífen. Onde é que a jornalista viu esta regra? Por outro lado, até parece que antes se escrevia de outra maneira que não «eurodeputado» ou «ultraligeiro». Há ainda no texto vários conselhos; eis um deles: «Se ao perguntar ao seu filho quantas são as vogais e ele passar a responder “14”, não o repreenda.»

 

 

[Texto 434] 

Helder Guégués às 23:32 | comentar | favorito
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