«Tratar-se de»

Ainda vai demorar

 

 

      «Fernanda sempre notou o “sotaque inglês” do vizinho da frente, mas ela e os outros moradores desconheciam que ele era um cidadão norte-americano, apesar da caixa de correio à sua porta com a inscrição US mail denunciar a sua origem. Fernanda e o vizinho do lado Vítor Louçada notaram que Jorge era visitado por “casais de cor, com sotaque inglês”, sobretudo no Verão e em alguns fins-de-semana de aniversários. Supõem que se tratavam de “familiares e amigos”» («O sr. Jorge era um vizinho prestável», Rute Coelho, Diário de Notícias, 30.09.2011, p. 19).

      Um dia, todos os jornalistas — pelo menos eles — saberão que a construção «tratar-se de», quando significa estar em causa, ser o caso de, é impessoal, pelo que o verbo se conjuga na terceira pessoa do singular. Até lá, paciência — e vão-se mas é tratar.

 

 

[Texto 535] 

Helder Guégués às 10:03 | comentar | favorito | partilhar
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