Como se escreve nos jornais

Saudades da picada

 

 

      Em Castelo Branco, um militar reformado matou um vizinho com vários tiros de uma carabina 1.22 modificada. Parece. Os jornalistas já estão a abandonar o «presumível», mas restam-lhes outras formas de lavar as mãos. «O suspeito, que vivia com uma a [sic] companheira, está à guarda da Polícia Judiciária até ser presente hoje ao Tribunal Judicial de Castelo Branco» («Ex-militar mata vizinho a tiro por causa do ladrar do cão», Célia Domingues, Diário de Notícias, 28.10.2011, p. 20). Mas isto foi no fim, porque no parágrafo anterior há mais certezas: «O autor dos disparos é militar reformado do Ultramar e terá ainda sido agente da PSP.» Stress pós-traumático, aposto. Carabina, munições, dois punhais... Só faltavam os turras para torrar com as Armalites, as Kalashnikovs, as Shpagins...

 

 

[Texto 621] 

Helder Guégués às 00:30 | favorito
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