Cultura clássica

Ler não faz mal

 

 

      Quando se trata de cultura clássica, a tendência de muitos tradutores é deixarem nomes como os encontraram no original. Já vimos casos lamentáveis. No caso que hoje aqui trago, o tradutor escreveu que determinada personagem «representava o papel de Orestilla, a mulher de Catilina». Bem, também Barreto Feio grafou dessa maneira, mas era um tempo em que se escrevia «aquillo», «elle», «opposto»... Mas acrescenta o tradutor: «de quem Salusto disse que nunca um marido a tinha louvado». É o Salústio dos Espanhóis...

      «Catilina, perdido de amores por Aurélia Orestila, quis desposá-la e, como o filho desta se opusesse, corria que Catilina o envenenara, “acendendo na pira do filho o facho do himeneu com a mãe”, assim o conta Valério Máximo que também diz como em 651 Valério Valentino fora acusado por um poema pornográfico em que eram cantados o estupro de uma virgem e o desfloramento de um rapaz, com uma lubricidade genuinamente realista» (História da República Romana, Vol. III, Oliveira Martins. Lisboa: Guimarães & C.ª Editores, 1952, p. 90).

 

[Texto 71]

Helder Guégués às 13:18 | favorito
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