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Linguagista

Tradução: «pie»

Deve haver uma teoria

 

 

     Conhecem o quadro de Pieter Brueghel, o Velho, Casamento de Camponeses, já da fase final da sua vida? Em primeiro plano, que transportam aqueles dois criados sobre uma porta a servir de padiola? Eu diria que são tartes (que alguns confundem com tortas...), mas o tradutor jura que são pies... E ficou assim — pies. Deve haver alguma teoria tradutológica a afirmar que é vocábulo intraduzível. Mais um.

 

[Texto 719]

3 comentários

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    Helder Guégués 24.11.2011 13:38

    Caro Francisco Agarez: seria escusado dizer que não me reconheço, nem pouco mais ou menos, no retrato que traça de mim. Primeiro, eu não zurzo em ninguém. Eu nem sequer zurzo em quem me quer zurzir. Veja, por exemplo, a afirmação recente de Pedro Lomba de que, de vez em quando, tropeço. Segundo, não escrevo para me mostrar mais inteligente — escrevo, como sempre fiz, para organizar as minhas próprias ideias e, agora com os blogues, para ajudar outros. E tenho a certeza — neste aspecto sou imodesto — de que o consigo. Ajudo revisores, tradutores, autores, ajudo todos quantos querem escrever e têm dúvidas. É claro que, pelo caminho, há sempre alguém que fica melindrado, ou ofendido, ou a remoer rancores. Paciência.
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    Francisco Agarez 24.11.2011 16:47

    Caro Helder Guégués: seria escusado dizer-me que ajuda revisores, autores, tradutores, ajuda todos quantos querem escrever e têm dúvidas. Nada disso pus em causa no meu comentário, até porque seria no mínimo estulto e ingrato, porque sou beneficiário líquido da sua disponibilidade para ajudar. Se não sabia que tenho por si a maior consideração profissional enquanto revisor, fica agora a sabê-lo. Sem hesitações nem ambiguidades. Se acaso já sabia, por quaisquer indícios que tenha captado, aqui tem a confirmação. Presto no branco. Quanto a escrever para se mostrar mais inteligente, não depreendeu certamente essa sugestão das palavras do meu comentário.
    Mas vamos ao que interessa, cingindo-me exclusivamente ao seu texto de hoje:
    1º Que é, senão zurzir o tradutor, afirmar que ele "jura que são pies", sem esclarecer em que circunstâncias foi produzida semelhante jura? Não é o mesmo que dizer que, além de ignorante, é teimoso?
    2º Que é, senão zurzir o tradutor, insinuar que "
    Deve haver alguma teoria tradutológica a afirmar que é vocábulo intraduzível."? Não é a ironia fácil uma das armas mais mortíferas do bom zurzidor? Ou será que o meu amigo acredita mesmo na existência das tais "teorias tradutológicas", e em que um tradutor que insiste em manter "pies" onde se vêem "empadas" ou "empadões" (como muito bem sugere Fernando Venâncio) tem competência para inventar as ditas teorias?
    3º Que é, senão zurzir o tradutor, acrescentar um sibilino "
    Mais um."?
    4º Não sei se se refere a mim quando escreve: "
    É claro que, pelo caminho, há sempre alguém que fica melindrado, ou ofendido, ou a remoer rancores. Paciência."
    Se se refere a mim, refere-se muito bem. Fico melindrado sempre que vejo pessoas pelas quais tenho grande consideração caírem na facilidade da generalização injusta.
    Pode ser que não seja sua intenção zurzir ninguém. Mas nem sempre as intenções se vêem confirmadas nas acções.
    5º Continuo a pensar que "tarte" é um galicismo desnecessário, e acrescento desajustado. Empada, ou empadão (conforme o tamanho, pormenor, aliás, despiciendo) são, segundo julgo saber, bem vocábulos bem mais portugueses.
    6º Comungo com o Helder Guégués na preocupação com a qualidade das traduções, e faço os possíveis, no meu trabalho diário, para que essa qualidade não se degrade. Se consigo ou não, não me cabe ajuizá-lo. Mas a quem caberá?
    Com a mesma consideração de sempre.

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