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Linguagista

Sobre «no entanto»

Essencial e etimologicamente advérbios

 

 

      «Por isso, i.e., por serem essencial e etimologicamente advérbios, é que no entanto, entretanto, contudo e todavia vêm freqüentemente precedidos pela conjunção e: “Vive hoje na maior miséria e (,) no entanto (,) já possuiu uma das maiores fortunas do país.” A ser no entanto simples conjunção, simples utensílio gramatical (conectivo), torna-se difícil a classificação da oração: coordenada aditiva, em função do e, ou adversativa, em função do no entanto? É evidente que não poderá ser uma coisa e outra. A ortodoxia gramatical aconselharia a supressão do e, em virtude de, modernamente, se atribuir a no entanto valor de conjunção. Mas, se se aceita o agrupamento, a oração será aditiva, e no entanto, advérbio, caso em que costuma (ou deve) vir entre vírgulas. O que se diz para no entanto serve para entretanto, todavia, não obstante» (Comunicação em Prosa Moderna, Othon Moacyr Garcia. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006, 26.ª ed., p. 44).

      A função de conjunção daquelas partículas é relativamente recente na língua portuguesa, posterior ao século XVIII. Na 6.ª edição do dicionário de Morais, de 1856, ainda «porém» e «todavia» aparecem como advérbios.

 

[Texto 776]

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