14
Mai 11

Sobre «proteico»

Que surpresa


 

     «A meio da manhã, pode comer uma barra proteica.» Não é muito surpreendente, creio, que os dicionários gerais da língua não registem termos como, por exemplo, «estromatólito», «cianobactéria», «Australopitecídeos» — mas não registarem, como acontece com quase todos, a acepção referente a ou constituído de proteína do adjectivo proteico é algo claramente incompreensível.

      E a propósito de barra: não é acepção que se encontre entre as 17 registadas pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, pelo contrário, regista-a.

 

 

[Texto 5]

Helder Guégués às 13:20 | comentar | favorito | partilhar
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«Tratar-se de»

Outra derrota

 

 

 

      «Feita de madeira gopher, a arca tinha 300 cúbitos de comprimento, 50 cúbitos de largura e 30 de altura, sendo um cúbito o comprimento do braço desde o cotovelo até às pontas dos dedos, cerca de 45 centímetros (18 polegadas). [O termo hebraico gopher (Génesis 6,14) não tem tradução, referindo-se provavelmente a uma espécie já desaparecida. Em algumas bíblias modernas podemos encontrar cipreste, pinheiro e cedro, mas tratam-se de conjecturas. (N. da T.)]» (O Dedo de Galileu, Peter Atkins. Tradução de Patrícia Marques da Fonseca e Jorge Lima. Revisão de Ana Isabel Silveira. Lisboa: Gradiva, 2007, p. 15).

      Jornalistas, tradutores, ministros, professores — e revisores, como se pode ver e lamentar —, são muitos os que erram em regra tão elementar. Nesta construção, o verbo é impessoal, flexiona-se somente na 3.ª pessoa do singular, pois o sujeito é indeterminado.

 

 

[Texto 4]

Helder Guégués às 11:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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14
Mai 11

Como se fala na rádio

Aljubarrota rima com bancarrota


 

      «À semelhança da padeira de Aljubarrota ou da heroína da Sertã, esta é uma figura em torno da qual a História e a lenda também se confundem. Segundo a tradição popular, no local onde se encontra Ferreira do Alentejo existia no século IV uma próspera e pacata povoação chamada Siga. Devido à sua posição estratégica no Baixo Alentejo, a Siga romana era muito cobiçada por hordes de bárbaros que se aventuravam nessa época por toda a Península Ibérica» (Histórias Assim Mesmo, Mafalda Lopes da Costa. Antena 1, 11.05.2011).

      Singa, e não Siga, como se pode ler, por exemplo, na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e no dicionário de Bluteau. «Hordes» em francês, pois claro, que em português é hordas, que é o nome que se dá a tribos de tártaros ou de outros nómadas.

      E agora o que não se vê: o o do topónimo Aljubarrota é fechado, /Aljubarrôta/, e não aberto, como Mafalda Lopes da Costa pronunciou. Costa Lima, Vasco Botelho de Amaral, Rebelo Gonçalves, José Manuel de Castro Pinto, entre outros, é a pronúncia que registam ou recomendam.

 

 

[Texto 3]

Helder Guégués às 09:21 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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