21
Mai 11

Género de «aluvião»

Preguiça ou falta de tempo?

 

 

   «“A oposição pretendia que o MP se deixasse instrumentalizar politicamente, exigindo o absurdo de culpar alguém pelos aluviões do ano passado» («PSD-Madeira trava inquérito aos aluviões de 2010», Tolentino de Nóbrega, Público, 20.05.2011, p. 14).

    O presidente do Governo Regional da Madeira fala assim — mal —, e o senhor jornalista vai atrás, sem se dar ao trabalho de consultar um dicionário. «Aluvião» é do género feminino, caro Tolentino de Nóbrega.

 

[Texto 40]

Helder Guégués às 23:46 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Sobre «desenhar»

É pior nas traduções

 

 

      «O grandioso projecto [Barragem das Três Gargantas] foi desenhado para acalmar as poderosas cheias do rio Yangtzé e para gerar energia, mas a água está a tornar-se poluída e os deslizamentos de terra estão a dificultar a vida perto da barragem» («Pequim admite problemas na Barragem das Três Gargantas», Luísa Teixeira da Mota, Público, 20.05.2011, p. 20).

      Como se refere a arquitectura e engenharia, até podíamos fechar os olhos ou ficar indecisos, mas serve perfeitamente para avisar para o cuidado que se deve ter no uso do anglicismo semântico «desenhar» no sentido de «conceber», «planear», que alguns dicionários menos criteriosos já registam como se fosse forma de dizer portuguesíssima.

 

[Texto 39]

Helder Guégués às 23:43 | comentar | favorito
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«Império do Sol Nascente»

Um dia saberão

 

 

      «O problema é que o consumo das famílias vale cerca de 60 por cento do produto interno bruto do império do sol nascente, pelo que a manutenção deste tipo de tendência pode ter graves consequências no futuro» («Queda do consumo privado e terramoto empurram Japão para a recessão técnica», José Manuel Rocha, Público, 20.05.2011, p. 26).

   A correcta grafia dos prosónimos é matéria ainda incompreendida por jornalistas e revisores. Relembro alguns: Arco Atlântico, Capital do Móvel, Celeste Império, Cidade Condal, Cidade das Acácias, Cidade do Cristo Rei, Cidade dos Arcebispos, Cidade dos Doutores, Cidade dos Pináculos Sonhadores, Cidade dos Ventos, Cidade Ferroviária, Cidade Invicta, Cidade Luz, Cidade Maravilhosa, Continente Negro, Hexágono, Império do Sol Nascente, Lusa Atenas, Meca do Cinema, Nação Arco-Íris, Novo Continente, Novo Mundo, País das Pampas, País das Montanhas, País das Tulipas, País dos Cedros, Planeta Vermelho, Riviera Inglesa, Tecto do Mundo, Terras de Sua Majestade, Tigres Asiáticos, Velho Continente, Velho Mundo, etc.

 

[Texto 38]

Helder Guégués às 23:39 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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As gralhas do «Público»

E os outros erros?

 

 

      Não faltam erros nos jornais, todos os dias, mas alguns são muito atreitos a corrigir o menos grave: «O nome de Dominique Strauss-Kahn foi escrito erradamente como Strauss-Khan na edição de ontem. Aos leitores, as nossas desculpas» («O Público errou», Público, 20.05.2011, p. 40).

      Aproveitando, talvez, a gralha, mas sem deturpar o núcleo do nome, Eduardo Cintra Torres compôs um título vistoso: «A queda de Genghis Strauss-Kahn» (Eduardo Cintra Torres, «P2»/Público, 20.05.2011, p. 12).

 

[Texto 37]

 

Helder Guégués às 23:33 | comentar | favorito
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21
Mai 11

Elemento de composição «recém-»

Novo paradigma?

 

 

      «A recém-mamã Penélope Cruz esteve em Madrid para a apresentação do seu mais recente filme, Pirata das Caraíbas: Por Estranhas Marés, e mostrou-se sensibilizada com os jovens do movimento 15M que se juntaram há dias na capital espanhola para pedir “uma democracia e política reais” e afirmar o direito à indignação» («Penélope Cruz com o coração partido», «P2»/Público, 20.05.2011, p. 19).

      Era fenómeno que só se via nos jornais gratuitos. Agora, passou também para os jornais de «referência».

 

[Texto 36]

Helder Guégués às 23:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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