25
Mai 11

Aspas

Seu esquizóforo

 

 

      «Uma referência para identificar o presumível criminoso era uma “mosca” no queixo» («Duas pessoas mortas a tiro de caçadeira em casa de alterne de Vila Nova de Cacela», Idálio Revez, Público, 25.05.2011, p. 25).

      Somente as aspas e dizer que é no queixo é que põem o leitor — ignorante e desatento — na pista certa: olha, não é o insecto díptero esquizóforo da subordem dos ciclórrafos, com cerca de 80 mil spp. descritas, que se dividem em caliptrados e acaliptrados e numerosas famílias. Porra!

 

[Texto 54]

 

Helder Guégués às 19:04 | comentar | favorito
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Linguagem

Comunicação e hematomas

 

 

      Ontem, o cirurgião José Fragata, autor do livro Erro em Medicina, afirmava que «“70 por cento dos erros de saúde são de comunicação”, onde se incluem a troca dos doentes ou as trocas de medicação» («Doentes admitidos nos hospitais públicos devem usar pulseira com identificação», Catarina Gomes, Público, 24.05.2011, p. 10). Hoje, o caso do dia, a adolescente agredida, também revela (só um psicólogo nos poderia abrir os olhos para isto) «uma incompetência das adolescentes na comunicação e na forma de regular emoções e lidar com conflitos», disse ao Público a psicóloga Margarida Gaspar de Matos («Metade dos jovens assiste a provocações e nada faz», Catarina Gouveia, p. 12). Num e noutro caso, os problemas de comunicação são deletérios ou, pelo menos, deixam nódoas negras.

 

[Texto 53]

Helder Guégués às 19:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Americ(o)»

Elemento de composição

 

 

    «É possível que aproveitem o encontro de hoje para anunciar a criação do Conselho de Segurança Nacional americo-britânico, que trabalhará em conjunto sobre os desafios internacionais e partilhará informações dos serviços secretos, acrescenta a agência» («Pompa, circunstância e muitos sorrisos no primeiros dia do casal Obama em Buckingham», Francisca Gorjão Henriques, Público, 25.05.2011, p. 15).

      É, como sovieto-, elemento de composição, antepositivo usado em compostos eruditos.

 

[Texto 52]

Helder Guégués às 18:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Espécies botânicas e zoológicas

Faz espécie

 

 

      «O projecto da LIFE na região de Moura/Barrancos recuperou 16 hectares de área ardida e quatro quilómetros de vegetação ribeirinha, bem como 15 pequenas charcas para a fauna silvestre. Para recuperar as populações de coelho-bravo, a principal presa do lince-ibérico, foram criados 60 hectares de pastagens de leguminosas e gramíneas, cem abrigos artificiais de reprodução, 120 comedouros e 7 bebedouros» («CE distingue projecto para conservar lince-ibérico», Helena Geraldes, Público, 25.05.2011, p. 14).

      O Público, programaticamente contra o Acordo Ortográfico de 1990 (mas com alguns «inimigos» cravados no seu seio), lá vai dando uns toques nas novas regras ortográficas. Tocante. Continue, Helena Geraldes.

 

[Texto 51]

Helder Guégués às 18:55 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «reformeca»

Reformorreia

 

 

      «Esta ideia de mudança radical é muito importante, não é uma ideia de reforma, de reformeta» («Andamos à procura do nosso tamanho, do tamanho de Portugal», José Gil, «P2»/Público, 24.05.2011, p. 6).

      Cheira a sufixo francês. Em português só reformeca — depreciativo para reforma política insignificante — tenho ouvido e lido. Mas José Gil recebeu um prémio de crítica, respeitinho: «Na escolha do premiado, segundo o júri, pesou “a demonstração de um raciocínio crítico organizado a partir de conhecimentos muito sólidos que representam uma vida de atenção à arte. A fundura do olhar e a clareza da escrita de José Gil conduzem-nos, com este texto [A arte como linguagem: A “última lição”], à compreensão da arte contemporânea segundo novas perspectivas”» («Prémio de crítica para José Gil», Diário de Notícias, 12.05.2011, p. 53).

 

 

[Texto 50]

Helder Guégués às 00:13 | comentar | favorito
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«Varrer/barrer»

Os vv pelos bb

 

 

      «Desde 29 de Junho de 2007 é o segundo presidente da junta — governo regional da Extremadura — e é o único “barão” socialista que não foi barrido pelas urnas. Manterá o poder com o apoio dos comunistas da Esquerda Unida (IU). É também com apoio da IU que Emiliano Garcia-Paje continua como alcalde de Toledo, capital de Castela-la-Mancha» («Seis dirigentes resistiram ao tsunami eleitoral», Nuno Ribeiro, Público, 24.05.2011, p. 15).

      Varrer é um verbo muito antigo na língua portuguesa. Barrer é variante informal e regionalmente marcada. A segunda explicação é que, no teclado QWERTY, v e b estão ao lado uma da outra. Para alguns dicionaristas, contudo, «barrer» e «varrer» são sinónimos puros mesmo numa avaliação sincrónica. Bah...

 

[Texto 49]

 

Helder Guégués às 00:10 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «legista»

Reduzidos e exumados

 

 

      «O corpo deverá agora ser submetido a várias perícias e depois será levado para o Serviço Médico-Legal de Santiago onde, de acordo com a AFP, será analisado por legistas chilenos e estrangeiros» («Corpo de Salvador Allende foi exumado ontem», Público, 24.05.2011, p. 18).

      Podíamos imaginar o horror dos legistas, habituados a analisar apenas corpos legislativos, a terem de examinar um corpo exumado. Mas não: legista é não apenas o especialista em leis mas também, por redução, o médico-legista.

 

[Texto 48]

 

Helder Guégués às 00:07 | comentar | favorito
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25
Mai 11

Aportuguesamento

Pobre e desprezada preposição

 

 

      Sabem quem é Ricardo Reis? Boa tentativa! Não, não é apenas um dos heterónimos de Fernando Pessoa. É também um economista, que ontem assinou um artigo («Pouco produtivos e agora também velhos», «P2»/Público, 24.05.2011, p. 8) no Público. E, no fim do artigo, lá vem a identificação do autor: «Economista, professor na Universidade de Columbia, Nova Iorque.» Não na Columbia University, como muitos leitores querem. Podia invocar Camilo para explicar porque é que, embora não seja na Columbia mas na cidade de Nova Iorque, a preposição deve ser usada, mas não vamos incomodar os mortos. (Não fui eu, sabem disso?, que revi o artigo no Público.) Na identificação de J.-M. Nobre-Correia, que tem uma crónica sobre os meios de comunicação social no Diário de Notícias, é que se lê que é professor na Université Libre de Bruxelles.

 

[Texto 47]

 

Helder Guégués às 00:04 | comentar | favorito
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