06
Jul 11

Léxico: «carapim»

 

 

Corrijam 

 

 

      A protagonista acende a luz e vê no bolso do casaco do marido um carapim verde de bebé. Não deve haver carapins de idosos. Ah, sim: sabem o que são carapins? Não lia nem ouvia a palavra há muito tempo. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-a: «Sapatinho para bebé feito de malha de lã ou croché, para aquecer os pés.» A definição do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa está errada: «Peúgas de lã para crianças de colo.»

 

[Texto 263]

Helder Guégués às 14:39 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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Variantes fonológicas

É bom lembrar

 

      Francisco Miguel Valada publica hoje no Público mais um texto sobre a língua. A primeira parte é dedicada a demonstrar, e creio que cabalmente, a ilegitimidade do vocábulo «presidenta». A segunda parte é sobre variantes como cobarde/covarde, ouro/oiro e semelhantes, ultimamente referidas, e o argumento central, não original mas bem lembrado, é o de que não se trata de variantes ortográficas mas (o autor não o escreve) fonológicas. Assim, invocá-las a propósito da trapalhada das duplas grafias no Acordo Ortográfico de 1990 revelará paixão de amador da língua, não de conhecedor abalizado.

      «Aproveito os caracteres que me restam para informar que cobarde/covarde, febra/fevra, louro/loiro, ouro/oiro e afins não são variantes ortográficas, pois a sua “diferença” não remete para a grafia, mas para certos usos da fala ocorridos num determinado período. Cobarde e covarde não foram criadas por instrumento ortográfico, mas por pronunciações (e não “pronúncias”) diferentes do ‘u’ de couard (fr. antigo para cauda); oiro e loiro coexistem com ouro e louro, mas a corruptela ‘au’ g ‘ou’ g ‘oi’ ocorreu no século XVI, porventura por influência judaica: por exemplo, na Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, os judeus Latão e Vidal usam hoiver, coisa, oiço e usam-nas em discurso oral, não em registo escrito. Afinal de contas, o teatro é o palco da oralidade por excelência.

      Detenhamo-nos nesta ideia de indistintamente se poder usar fevra (e fêvera – J.M.Costa esqueceu-se de fêvera), covarde e oiro, quando na consulta de dicionários que J.M.Costa apresenta como referências se verifica remissão para febra, cobarde e ouro. Parte-se do princípio (e só deste) de que quem dicionarizou considerou estas entradas como as da norma-padrão, em sã convivência com outras. A fronteira prescrição/descrição é matéria delicada. Contudo, estes exemplos não são, nem de longe nem de perto, comparáveis com as facultatividades ortográficas irrestritas criadas pelo tal instrumento que nem sob coacção citarei. Muitas destas explicações estarão inclusive no Ciberdúvidas, em respostas dadas a consulentes. Consulentes, note-se. “Os” ou “as” consulentes. Consulenta, tal como presidenta, não é norma-padrão, aquilo que popularmente se chama “português correcto”» («Enta à Presidência e singularidades de uso», Francisco Miguel Valada, Público, 6.07.2011, p. 32).

 

 

[Texto 262] 

Helder Guégués às 13:46 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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06
Jul 11

Regência do verbo «ajudar»

Ajudem aqui

    

 

      «A ajudar a esse tipo de raciocínio, uma sondagem Harris Interactive publicada ontem indicava que 42 por cento dos franceses consideram Dominique Strauss-Kahn daria um “bom Presidente da República”, valor idêntico ao de François Hollande e superior ao da líder do partido, Martine Aubry» («Nova queixa torna mais difícil regresso político de Strauss-Kahn», João Manuel Rocha, Público, 5.07.2011, p. 2).

      O verbo «ajudar» rege duas preposições, vimo-lo ainda recentemente no Assim Mesmo, a (ajudar alguém a + infinitivo) e em (ajudar em alguma coisa). Que construção é esta?

 

 

[Texto 261]

Helder Guégués às 13:04 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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