07
Jul 11

«Deixar cair»

É da crise

 

 

      «A equipa de procuradores que está a tomar conta do caso de Dominique Strauss-Kahn não deixou cair as acusações por crimes sexuais e a “investigação vai continuar”, anunciou ontem o gabinete do procurador de Manhattan» («Investigação a Strauss-Kahn vai continuar», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 7.07.2011, p. 25).

      Perante a crise, a jornalista Catarina Reis da Fonseca decidiu agora, para alargar o mercado potencial de trabalho, escrever em espanhol: dejar caer. O Diário de Notícias é lido para lá de Elvas?

 

[Texto 268]

Helder Guégués às 20:07 | comentar | ver comentários (9) | favorito | partilhar
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«Mandado/mandato»

Nem só os novatos

 

 

      «Mas os tempos tinham mudado e o vulto [Jaime Nogueira Pinto] que se destacara nos tempos do salazarismo/marcelismo era alvo de um mandato de captura na sequência do 28 de Setembro de 1974, a manifestação da “maioria silenciosa”, alegadamente a encapotar um golpe spinolista apoiado pela direita — e que teria como consequência a prisão de figuras do regime anterior» («Uma voz singular», Fernando Madaíl, Diário de Notícias, 7.07.2011, p. 28).

      Continua, como se vê, a confusão entre «mandato» e «mandado» — e não são apenas os novatos que contribuem para ela. Consultem um dicionário.

 

 

[Texto 267]

Helder Guégués às 19:50 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «haboob»

Muita areia

 

 

      «O especialista explicou ainda que a elevada e invulgar densidade da tempestade de areia, também conhecida como haboob, ficou a dever-se ao facto de nos últimos meses não ter havido muita precipitação neste estado dos EUA. […] Assim, os dias dos residentes do Arizona começam a parecer-se mais com os dos koweitianos ou iraquianos, cujos países costumam ser alvos [sic] mais frequentes deste tipo de haboobs — palavra árabe que significa vento forte ou fenómeno» («Arizona invadido por muralha de areia», Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 7.07.2011, p. 30).

      Ainda pensei que pudesse ter sido integrado, dada a proximidade, na língua portuguesa, mas parece que não. O Dicionário Houaiss regista-o como anglicismo: «Tempestade de areia que ocorre nos desertos do Norte da África, na Arábia e nas planícies da Índia.»

 

 

[Texto 266]

Helder Guégués às 19:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «teco-teco»

Quase tico-tico

 

 

      «A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros» («Nada me faltará», Maria José Nogueira Pinto, Diário de Notícias, 7.07.2011, p. 54).

      De origem onomatopaica, teco-teco é, na definição do Dicionário Houaiss, o «pequeno avião, de construção leve e um só motor de explosão, próprio para treinos ou para trajectos curtos». Este dicionário regista que se trata de um brasileirismo, mas já sabemos quão pouco fiável é nestas atribuições. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acha o vocábulo digno de figurar nas suas páginas, ao contrário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Foi a última lição de Maria José Nogueira Pinto — eu não conhecia o termo. E a culpa foi de José Pedro Machado e do seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa, único que eu li na íntegra (doze tomos), que não o regista.

 

 

[Texto 265]

Helder Guégués às 18:28 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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07
Jul 11

Como se fala na rádio

Não tem fim

 

 

      «De alguém que vive à custa de outrem, que se aproveita dos bens alheios, que usufrui do que não é seu ou do que não produziu diz-se que é um parasita. A expressão é obviamente pejorativa e tira o seu significado da biologia, em que os parasitas são organismos que vivem em associação com outros, aos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro. Mas existe uma razão concreta para a estes organismos se chamarem parasitas» (Lugares Comuns, Mafalda Lopes da Costa, Antena 1, 6.07.2011).

      Não tem a desculpa do directo ou da oralidade, pois é um texto lido ao microfone. Indesculpável. Indesculpável também pela reincidência quotidiana no erro.

 

[Texto 264]

Helder Guégués às 07:38 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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