21
Jul 11

«Ver em que param as modas»

Ora, ora

 

 

      «Cá fora, um grupo de católicos, não-praticantes, encosta-se à parede, junto ao pórtico do monumento religioso do século XVII, para ver como “param as modas”» («O padre mais antigo de Portugal vive no Algarve: 100 anos de vida, 77 de ordenação», Idálio Revez, Público, 21.07.2011, p. 24).

      Oh, que desgosto, Idálio Revez! Então a expressão não é «ver em que param as modas»? Não leu O Primo Basílio, confesse... Aprenda com a tia Vitória: «— Também tens razão. Até ver em que param as modas, vem cá dormir. Jantas cá hoje; tenho uma rica pescada.» Idiotismos não é com eles...

 

[Texto 326] 

Helder Guégués às 19:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «vulpino»

É isso mesmo, Caetano

 

 

      «Diga-me lá: o adjectivo “vulpino” refere-se a que animal: lobo ou raposa?» O concorrente, que «não conhecia o termo», do Jogo da Língua de ontem escolheu a opção B por «excepção». Respondeu a Dra. Sandra Duarte Tavares: «A resposta correcta é “raposa”. E porquê? Porque “raposa” em latim designava-se vulpinus.» Ah...

 

 

[Texto 325] 

Helder Guégués às 10:23 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Ideia mestra»

Não é de mestre

 

 

      «Como contributo para o debate, ofereço a minha resposta. É uma democracia de muito baixa intensidade, que assenta nas seguintes ideias-mestras» («Que democracia é esta?», Boaventura de Sousa Santos, Público, 19.07.2011, p. 39).

      O contributo para a língua é que não é, convenhamos, dos melhores, pois nunca «mestra» se liga por hífen ao primeiro termo: trave mestra, parede mestra, ideia mestra. Se o revisor antibrasileiro visse a frase, seria certamente acometido de uma apoplexia, pois ele nem sequer admite a grafia «ideia-chave», quanto mais «ideia-mestra».

 

 

[Texto 324] 

Helder Guégués às 08:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Jul 11

«Onça “troy”»

Vem da Idade Média

 

 

      Podíamos estar a ler a expressão na obra As Aventuras de Robinson Crusoe, mas é no Público: «Face aos actuais valores do ouro, em sucessivos recordes históricos que, no [sic] últimos anos, aproximaram uma onça troy — equivalente a 31,1 gramas — dos 1600 dólares, [João Loureiro, professor da Faculdade de Economia do Porto] admite, em teoria, que “poderia ser um bom negócio”» («Portugal tem uma fortuna em que não pode mexer», Rosa Soares, «P2»/Público, 19.07.2011, p. 4).

      Equivale, sim senhor, mas o mais interessante é a origem do termo «troy». Na Idade Média, na comuna francesa de Troyes (antiga Tricasses) realizava-se uma feira em que a unidade de peso usada (numa época em que muitas cidades tinham os seus próprios padrões) para o ouro era esta, a que depois se deu o nome de troy.

 

[Texto 323]

Helder Guégués às 08:25 | comentar | favorito
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