23
Jul 11

Ortografia: «outrem»

Hipercorrecção, dizem alguns

 

 

      «(Ao comentário proferido por outrém de que “é uma pena não haver Liga de Verão”, Buchanan retorquiu: “Yeah”)» («‘Lockout’, a palavra que deixa congelado o espectáculo», Diário de Notícias, 20.07.2011, p. 39).

      Erro muito comum, este. «Outrem» é uma palavra grave, e as palavras graves terminadas em -em e -ens não são acentuadas: desordem, imagem, origem, jovens, nuvem, penugens... No mesmo artigo, o vocábulo «proibido» aparece duas vezes com acento. Já se vê a que estado chegou o cuidado com a língua na nossa imprensa.

 

[Texto 333] 

Helder Guégués às 14:24 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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Ensino e AOLP90

Todas as responsabilidades

 

 

      Vale a pena meditar nas palavras de Vasco Graça Moura, na última crónica no Diário de Notícias, sobre o ensino do Português e o Acordo Ortográfico: «No que toca ao português, os alunos desabituaram-se de tirar significados, não sabem consultar capazmente um dicionário, não se habituaram a ler autores significativos e muito menos a gostar deles. Não conseguem interpretar em condições um qualquer texto literário e exprimem-se cada vez com mais problemas e deficiências no tocante à extensão e propriedade do léxico, à articulação sintáctica, ao respeito de regras gramaticais elementares, à correcção da ortografia e até da pronúncia de muitos vocábulos. Tanto quanto sei, na área das matemáticas e da simples aritmética, passam-se coisas que, mutatis mutandis, acabam por ser de sinal muito semelhante.

      Sobre essas falhas básicas, o actual ministro tem tido o desassombro de dizer verdades como punhos. É portanto de esperar que ponha em prática uma série de medidas para contrariar o presente estado de coisas.

      Esse estado de coisas só poderá agravar-se com a aplicação nas escolas de uma barbaridade chamada Acordo Ortográfico. Se o ministro da Educação tem dúvidas a este respeito, basta-lhe convocar alguns especialistas, ou pedir para ver o parecer da Comissão Nacional da Língua Portuguesa, ou o dos seus próprios serviços (ao tempo da assinatura do AO, a Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário). Pode mandar analisar por gente competente não apenas as burricadas que o documento consagra, mas as consequências que ele vai ter ao nível da escola: facultatividades que redundarão na desortografia, confusões e equívocos, incertezas e flutuações permanentes na aprendizagem e na maneira de escrever, pronúncias desfiguradas, lesões na própria utilização escorreita da língua, custos astronómicos directos e indirectos na criação e aplicação do sistema» («As grandes responsabilidades», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 20.07.2011, p. 54).

 

 

[Texto 332]

Helder Guégués às 11:49 | comentar | ver comentários (14) | favorito
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23
Jul 11

Regência nominal

Ignoro

 

 

      Alguém escreveu aqui que «os filhos de Bruto foram mandados executar pelo próprio pai, por serem coniventes de Tarquínio». Nunca vi tal regência, que bem pode ser confusão com a regência de «cúmplice», «cúmplice de». «Só falta saber se o Simão Botelho não estará lá dentro, se ele não foi cúmplice de D. Baltasar, apesar de se dizer para aí que se odiavam» (Espingardas e Música Clássica, Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa: Editorial Caminho, 1987, p. 197).

 

[Texto 331]

Helder Guégués às 08:46 | comentar | ver comentários (10) | favorito