15
Ago 11

Sul do Sudão/Sudão do Sul

Do Sul

 

 

      A propósito de tio Google: este senhor, com uma memória prodigiosa mas um pouco desatinado, diz-me que Sul do Sudão é quase tão usado como Sudão do Sul. Ora, tendo em conta que boa parte das ocorrências (somente páginas de Portugal) dirá respeito à independência deste território do Sudão, pergunto a mim mesmo se esta polarização não é enganadora. Explico-me. Na minha ideia, devia usar-se Sul do Sudão apenas quando nos referimos ao território como parte integrante do Estado sudanês. Quando nos referimos ao novo Estado, usaremos Sudão do Sul – à semelhança de Coreia do Sul, Dacota do Sul, Carolina do Sul, Ossétia do Sul...

 

[Texto 399] 

Helder Guégués às 23:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Entre 20 e 40 mil

Duas grandes verdades

 

 

      Jornalista Nuno Felício, no noticiário das 2 da tarde de hoje na Antena 1: «Numa visita a Gouveia, esta manhã, o ministro [Nuno Crato]  reconheceu que entre 20 a 40 mil professores não vão ser avaliados, e adiantou ainda que, mais do que computadores ou quadros interactivos, o que faz falta nas escolas é empenho.»

      «É a base; é a basezinha!», disse o abade sobre o latim, o latinzinho, mas saber português ainda faz mais falta.

 

[Texto 398]

Helder Guégués às 20:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Colocação do pronome

Saberão os taxistas

 

 

      «Entre as coisas que desaparecem e fazem falta, muitas não têm importância nenhuma. Mas o efeito cumulativo de todas elas – que é sísmico – faz com que valha a pena mencionar cada uma. Desde os meus 25 anos que ando à caça de copos de vidro fininhos. Na Rua de São Bento, em Lisboa, no encalço dos restos das fábricas condenadas da Marinha Grande – imaginando-me o anjo vingador dos irmãos Stephens –, dei por duas vezes com a Amália Rodrigues, incandescente e espirituosa, que morava e continua a morar naquela rua, como todos os taxistas de Lisboa sabem e orgulham-se de saber. Disse-me coisas que nunca mais esqueci. Era incapaz de dizer uma coisa que se pudesse esquecer» («Escrito no vidro», Miguel Esteves Cardoso, Público, 15.08.2011, p. 31).

      Pode ter que ver com o ouvido, mas eu anteporia o pronome ao verbo, pela atracção exercida ainda, pese embora o afastamento, pelo pronome indefinido: «como todos os taxistas de Lisboa sabem e se orgulham de saber».

 

[Texto 397]

Helder Guégués às 11:28 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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15
Ago 11

Palavras para o tempo

É um avanço

 

 

      Sabemos bem como a noção do tempo, que não é inata, nas crianças é confusa e imprecisa. Agora, porém, a minha filha (que resolveu, depois de saber fazê-lo em inglês, aprender a contar até dez em português e em italiano), inesperadamente, sentiu necessidade de ser mais precisa e passou a usar a palavra «trasantontem», que jamais me ouviu. Vá lá, podia dizer, como se ouve em algumas zonas do País, «ontesdonte(m)».

 

[Texto 396]

Helder Guégués às 10:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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