Sobre o verbo «ser»

Cuidados de outrora

 

 

      Ainda recentemente Fernando Venâncio e Montexto aqui se referiram à omissão do verbo ser em determinada construção frásica. Fui encontrar a mesma preocupação em Vasco Botelho de Amaral: «Tudo quanto acabo de dizer contra o abuso do verbo ser não significa de modo nenhum antipatia pelas repetições das palavras em geral ou por essa em particular. Não. Sòmente me parece recomendável mais moderação no uso dêsse intrometido, causador de monotonia e até viciador das boas qualidades da nossa Língua.

      Pensem no caso não só dos tradutores, mas quantos se entregam à leitura de inadmissíveis traduções que por aí superabundam.

      Traduzir nem tôda a gente se convence de que é arte dificílima e de grandes responsabilidades. Dificílima, porque exige muito: domínio perfeito da língua original, conhecimento profundo da língua para a qual se verte o pensamento e a expressão estranjeiros e também, necessàriamente, respeito à dignidade do idioma para que se traduz. De grandes responsabilidades, vistas estas mesmas razões e ainda outras: por exemplo, não se dever contribuir para a deseducação literária por meio de insuficiências e defeitos, muitas vêzes explicáveis por desleixo, incompetência ou simples falta de gôsto» (Meditações Críticas Sôbre a Língua Portuguesa, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Edições Gama, 1945, pp. 209-210).

 

[Texto 412]

Helder Guégués às 07:39 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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