24
Ago 11

Como se escreve nos jornais

Criada de dentro

 

 

      «Il y a lieu de comprendre...» «Há que perceber...», verteu o tradutor. Alterei, porque é português espúrio – mas não passou no crivo... Ah, não era isto que eu queria dizer... «Vitorino Nemésio. No dia 18 de Setembro, o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, evoca a figura e a obra do escritor açoriano Vitorino Nemésio, autor do romance Mau Tempo no Canal. Vinte anos depois da sua morte, a personalidade única deste escritor, poeta e comunicador e o seu papel dentro da cultura portuguesa será recordada em leituras de excertos da sua obra e na exibição do documentário Vitorino Nemésio – Viagem» («Homenagem literária no CCB», Diário de Notícias, 23.08.2011, p. 47).

      Sempre me fez muita espécie o uso do advérbio «dentro» nestas construções. «Dentro da cultura portuguesa»!

 

[Texto 420] 

Helder Guégués às 22:50 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Pêra-rocha/pêra rocha

Uma homenagem

 

 

      «De pêras já percebo mais um bocadinho. Digo eu, fanfarrão e cheio de medo. Embora já haja para aí pêra Rocha – vi a sete euros a caixa – ainda está verde e vai melhorar. Dizem os produtores que a colheita começou a 15 de Agosto. Mas continua... Este Verão comi espantosas pêras Carapinheira (mais verdes, que as maduras não prestam) e prestáveis pêras Pérola. O generoso site da Pêra Rocha aconselha ainda a pêra de São João “e”, acrescenta enigmaticamente, “tantas outras”. É bom saber pouco, que há muito ainda para aprender. E saborear. Ou cuspir» («Tudo à pêra», Miguel Esteves Cardoso, Público, 24.08.2011, p. 31).

      É no mesmíssimo Público que por vezes escrevem – sobretudo quando se esquecem de que são contra o Acordo Ortográfico de 1990 – pêra-rocha. Assim grafado, a homenagem ao obscuro senhor Rocha é mais evidente...

 

 

[Texto 419]

Helder Guégués às 12:34 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tuscany

De toscanejar

 

 

      «Para além do tomo de Thomas Mann, também o inglês E. M. Forster escreveu outro romance situado numa cidade italiana, desta vez Florença, berço do Renascimento. Um Quarto com Vista, se não é um roteiro de viagem, situa o despertar romântico de Lucy Honeychurch (nascida no seio da alta sociedade reprimida e moralmente austera da Inglaterra vitoriana do séc. XIX) num hotel florentino. Um Quarto com Vista, que começa e acaba na cidade de Florença, é também um relato das paisagens italianas, da Toscânia, em particular, e da capital, Roma» («Leitura de férias em tom de viagem», Alexandre Elias, Diário de Notícias, 23.08.2011, p. 50).

      Directamente do inglês: Tuscany — Toscânia. Não querem aprender.

 

[Texto 418]

Helder Guégués às 00:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Ago 11

«The Roaring Tweenties»

Os leitores que descubram

 

 

      «Desde o retrato da vida boémia parisiense durante os roaring twenties (termo que designa o ritmo crescente da vida moderna na década que se seguiu à Primeira Guerra Mundial) à euforia do festival de Fermín (cujo retrato da tourada e da largada de touros faz deste livro ainda hoje um clássico absoluto), Fiesta é, no fundo, uma meditação do autor sobre o amor, a Greatest Generation (ou seja, a “grande geração” que cresceu durante as privações da Grande Depressão de 1929) e o ideal de masculinidade que essa geração encarnava» («Leitura de férias em tom de viagem», Alexandre Elias, Diário de Notícias, 23.08.2011, p. 50).

      Mas não dissemos sempre os loucos anos 20? Então para quê usar somente a expressão inglesa, não dando a tradução?

 

 

[Texto 417]

Helder Guégués às 00:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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