«Mais bem/melhor»

Ou melhor [vultos e espectros]

 

 

      «Os homens sofrem e morrem mais de cancros que não têm sexo ou, mais bem dito, cabem ao corpo humano, tanto fazendo serem femininos ou masculinos. Será um erro dividir seres humanos em homens e mulheres? Se calhar, é. A tragédia não tem sexo. Mas, mesmo assim, nos órgãos necessários para o sexo e para a produção de bebés, por que é que os órgãos especificamente femininos das mulheres são mais castigados do que os órgãos sexuais masculinos?» («Deus é machista», Miguel Esteves Cardoso, Público, 26.08.2011, p. 33).

      Muito bem: mais bem dito (porque mais bem é comparativo de bem) e não, como se lê por vezes, melhor dito. E escrito por grandes vultos da nossa cultura: «Há em Manoel de Oliveira, em grau intenso, aquele ingrediente de monotonia que caracteriza todos, ou quase todos, os grandes criadores: aquela obstinada capacidade de conviverem longamente com um tema, melhor dito: com uma obsessão» (O Objecto Celebrado, Eugénio Lisboa. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1999, p. 207).

      Para contrabalançar, temos depois aquele advérbio interrogativo, que Miguel Esteves Cardoso ora grafa por que ora porque. Tem dias. «Mas de onde vem esta gente? Será do crime? Porque é que a estrada não é só para mim?» («Anda tudo rico», Miguel Esteves Cardoso, Público, 10.05.2009, p. 33).

 

 [Texto 423]

Helder Guégués às 14:57 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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