27
Ago 11

Metafonia

O do bigode hipocrepiforme

 

 

      Teresa Nicolau, repórter da RTP, foi a Cacilhas para falar da Casa da Cerca e de um candidato local a uma das 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, as amêijoas à Bulhão Pato. Foi também entrevistar pessoas na rua. Pode ser este aqui. Sexagenário, de óculos de sol, boné com publicidade à Meo e bigode em ferradura. «Sabe quem é o Bulhão Pato?» «Bulhão quê?» «Bulhão Pato.» «Bulhão Pato. Bulhão Pato, isso é no Porto, pá. Não é no Porto?» (Ainda recentemente vi escrito, em determinada obra, «amêijoas à bolhão pato». Persignei-me.) A jornalista incomodou entrevistou ainda uma senhora num restaurante, que apreciava a receita «porque não tem muitos mólhos». No sentido de «molho de carne», não se dá a metafonia neste vocábulo, ou seja, na passagem para o plural não há mudança de timbre da vogal tónica. Não é como almoço/almoços, por exemplo, e cerca de, diz-se, outros seiscentos vocábulos na nossa língua.

 

 

[Texto 426] 

Helder Guégués às 09:19 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Linguagem

D. José e seus dois maridos

 

 

      Provavelmente nunca saberemos que efeitos teve o boicote lançado no Facebook contra o semanário Sol motivado por um artigo de opinião, «Dois Maridos», de José António Saraiva, no qual o director daquele jornal se pergunta como «deverão tratar-se dois membros de um casal homossexual». Realidade que, se se lembram, eu já aqui tratei duas vezes. «Neste polémico artigo», lê-se na edição de ontem do Diário de Notícias, «José António Saraiva faz uso de uma notícia publicada no DN sobre a alegada violência doméstica do ex-deputado do PSD Jorge Nuno de sobre o seu marido, Carlos Marcano, como ponto de partida para uma reflexão sobre a homossexualidade.

      “Não havendo neste ‘casal’ um marido e uma mulher, poderá falar-se em dois maridos? Ou seja, Carlos Marcano é marido de Jorge Nuno de Sá e este é marido de Carlos Marcano”, questiona a dada altura o director do Sol na sua crónica que está a gerar polémica. “As palavras que usamos têm um significado que o tempo e o uso foram consolidando – e ‘casamento’ na nossa civilização quer dizer a união entre um homem e uma mulher, ou seja, o acto fundador de uma família”, pode ainda ler-se» («Direcção do ‘Sol’ desvaloriza boicote lançado na Internet», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 26.08.2011, p. 50).

 

[Texto 425]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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27
Ago 11

Como se escreve nos jornais

Esqueça isso

 

 

      «A fadista Ana Moura foi uma das convidadas do Programa do Jô, de quarta-feira, emitido na TV Globo, o canal com mais audiência no Brasil. A portuguesa falou da sua carreira, dando a conhecer ao público da antiga colónia o seu percurso desde que começou a cantar numa banda de covers de pop e rock até à sua actuação no palco com Prince» («Ana Moura esteve no ‘Programa do Jô’», T. G., Diário de Notícias, 26.08.2011, p. 53).

      Para substituir o nome do País do Samba, a T. G. não lhe ocorreu nada de mais inteligente ou adequado do que dizer «antiga colónia». Homem, isso já foi há muito tempo, arranje outros prosónimos.

 

[Texto 424]

 

Helder Guégués às 08:37 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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