30
Ago 11

Acordo Ortográfico

O novo português

 

 

      Sabem qual é a «Melhor Revista de Educação ‘11»? Segundo outra publicação, a Meios & Publicidade, é a Pais & Filhos. A edição de Setembro promete-nos logo na capa revelar «o que mudou no ensino do português». O artigo da página 70 e seguintes, assinado por Ana Sofia Rodrigues, ainda é mais arrasador: «O novo português». Sobre o uso do hífen, pode ler-se na página 73: «Algumas palavras são formadas com a adição de prefixos. Nesse caso passam, por princípio, a escrever-se sem hífen, como autorrádio, eurodeputado, ultraligeiro, minissaia, contrarrelógio, autoestrada. Algumas das exceções nas quais continua a usar-se hífen: a palavra a que se juntam começa pela letra ‘h’ (anti-histamínico); a palavra a que se juntam começa pela mesma vogal com que termina o prefixo (micro-ondas); sota-, soto-, vice-, grão-, grã- ou ex- (ex-marido, vice-presidente); quando os prefixos são acentuados graficamente (pré-reforma); a palavra a que se juntam é um estrangeirismo, nome próprio ou sigla (anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS).» Está bem visto, sim senhor. Vai, aliás, ao encontro do que tenho defendido — mas a verdade é que o texto do Acordo Ortográfico só por duas vezes se refere a siglas, e nenhuma delas a propósito do hífen. Onde é que a jornalista viu esta regra? Por outro lado, até parece que antes se escrevia de outra maneira que não «eurodeputado» ou «ultraligeiro». Há ainda no texto vários conselhos; eis um deles: «Se ao perguntar ao seu filho quantas são as vogais e ele passar a responder “14”, não o repreenda.»

 

 

[Texto 434] 

Helder Guégués às 23:32 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Ortografia: «Edimburgo»

Não é bem

 

 

      Acabei de falar pelo Ipad (graças ao Freephoo) com o meu amigo David C. Está em Edimburgo. Não Edinburgo, caro Miguel Esteves Cardoso: «No Sunday Telegraph de anteontem, contava-se a anedota de um homem que dizia que “queria morrer como o pai, sossegado a dormir – e não como os passageiros dele, aos gritos, cheios de medo”. Acabou mais um Festival de Edinburgo, com mais comediantes do que sempre (sobretudo porque os velhos continuam a comparecer) e os comentadores dos jornais ingleses, a dormir em camaratas e a levar, ressacados ou bêbados, com dez horas seguidas de comediantes, lamentam-se que já ninguém tem a graça que tinha e que os novos não têm graça nenhuma» («A idade do riso», Miguel Esteves Cardoso, Público, 26.08.2011, p. 31). Mas Miguel Esteves Cardoso não nos desensina apenas: «É tal a fartura, hoje em dia, de comediantes autores e intérpretes (o termo standup não diz nem traduz nada), que não é possível seguir as carreiras dos quarenta ou cinquenta melhores, conhecidos ou por conhecer.»

 

[Texto 433] 

Helder Guégués às 11:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Ago 11

«Dar uma palinha»

Olhe que não

 

 

      O Público também falou da presença da fadista Ana Moura no programa de Jô Soares (e não tiveram de escrever que foi na «antiga colónia»). «Acompanhada por Filipe Larsen na viola baixo, José Manuel Neto na guitarra portuguesa e José Elmiro na viola foi ao Programa do Jô e durante a entrevista, sentada no sofá ao lado de Gil, “deu palinhas” (de “dar uma pala”, como dizem os brasileiros, mostrou o seu talento) no fado Loucura, na música angolana Birin birin e em Brown sugar, dos Rolling Stones» («Ana Moura é “belíssima revelação do fado” no Jô Soares», «P2»/Público, 29.08.2011, p. 15).

      Será mesmo assim? Parece que mesmo os falhos de talento podem dar uma palinha, pois a expressão, usada sobretudo por músicos brasileiros quando dão entrevistas e cantam trechos das suas canções – dar uma pala ou uma palinha – significa dar uma amostra de algo, uma pista. Entre nós, povo sensitivo, a expressão seria outra: «Pode dar-nos um cheirinho do seu novo trabalho?»

 

[Texto 432] 

Helder Guégués às 00:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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