30
Ago 11

Ortografia: «Edimburgo»

Não é bem

 

 

      Acabei de falar pelo Ipad (graças ao Freephoo) com o meu amigo David C. Está em Edimburgo. Não Edinburgo, caro Miguel Esteves Cardoso: «No Sunday Telegraph de anteontem, contava-se a anedota de um homem que dizia que “queria morrer como o pai, sossegado a dormir – e não como os passageiros dele, aos gritos, cheios de medo”. Acabou mais um Festival de Edinburgo, com mais comediantes do que sempre (sobretudo porque os velhos continuam a comparecer) e os comentadores dos jornais ingleses, a dormir em camaratas e a levar, ressacados ou bêbados, com dez horas seguidas de comediantes, lamentam-se que já ninguém tem a graça que tinha e que os novos não têm graça nenhuma» («A idade do riso», Miguel Esteves Cardoso, Público, 26.08.2011, p. 31). Mas Miguel Esteves Cardoso não nos desensina apenas: «É tal a fartura, hoje em dia, de comediantes autores e intérpretes (o termo standup não diz nem traduz nada), que não é possível seguir as carreiras dos quarenta ou cinquenta melhores, conhecidos ou por conhecer.»

 

[Texto 433] 

Helder Guégués às 11:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Ago 11

«Dar uma palinha»

Olhe que não

 

 

      O Público também falou da presença da fadista Ana Moura no programa de Jô Soares (e não tiveram de escrever que foi na «antiga colónia»). «Acompanhada por Filipe Larsen na viola baixo, José Manuel Neto na guitarra portuguesa e José Elmiro na viola foi ao Programa do Jô e durante a entrevista, sentada no sofá ao lado de Gil, “deu palinhas” (de “dar uma pala”, como dizem os brasileiros, mostrou o seu talento) no fado Loucura, na música angolana Birin birin e em Brown sugar, dos Rolling Stones» («Ana Moura é “belíssima revelação do fado” no Jô Soares», «P2»/Público, 29.08.2011, p. 15).

      Será mesmo assim? Parece que mesmo os falhos de talento podem dar uma palinha, pois a expressão, usada sobretudo por músicos brasileiros quando dão entrevistas e cantam trechos das suas canções – dar uma pala ou uma palinha – significa dar uma amostra de algo, uma pista. Entre nós, povo sensitivo, a expressão seria outra: «Pode dar-nos um cheirinho do seu novo trabalho?»

 

[Texto 432] 

Helder Guégués às 00:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Ago 11

«Colocar o dedo na ferida»

Mais um

 

 

 

      O senhor professor António Jacinto Pascoal veio para ficar no Público. O texto de hoje já se percebe, mas há por ali muitos erros. O menor: também diz «colocar o dedo na ferida». «Um bom exemplo de como nem tudo é um mar de rosas prende-se com a retórica sobre o ensino do Português, manifestada recentemente nos órgãos de comunicação social. O doutor Carlos Reis contribuiu, igualmente, para uma certa polémica, ao assinar o artigo Sabe ele o seu português? (PÚBLICO, 12/08/2011). Chamou a atenção para a formação de professores de Português e colocou o dedo numa ferida – a relação entre essa formação e as entidades formadoras» («Sabe ele o seu lugar?», António Jacinto Pascoal, Público, 29.08.2011, p. 31).

 

 

[Texto 431] 

Helder Guégués às 23:14 | comentar | favorito
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«Diante aquela»

Pôs-se de giolhos

 

 

      «Eis uma traição meritória: o Restaurante Duna Mar, pouco acima e a poucos metros da mais maravilhosa e bonita de todas as praias portuguesas (a do Magoito), é também o melhor café familiar de Sintra, com um bitoque barato e umas amêijoas divinas que, diante aquela paisagem, da primeira dinastia, são uma bondade que vai além do muito bom. O (demasiado) apetitoso site é aqui: http://restaurantedunamar.com» («O milagre do Magoito», Miguel Esteves Cardoso, Público, 29.08.2011, p. 31).

      Também da primeira dinastia será a construção «diante aquela» – «pôs-se de giolhos diante aquela imagem de seu pai». Mas, atenção, defensores e detractores, foi assim que já se escreveu, e este recorte clássico agrada-me.

 

 

 [Texto 430] 

Helder Guégués às 14:08 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Uma insolação

 

 

      «Há quatro praias interditas a banhos desde sexta-feira passada. A má qualidade da água, em que foram detectadas bactérias como a E-coli, obrigou as autoridades a proibir os banhos em cinco praias (ver mapa em baixo) durante o fim-de-semana, mas, entretanto, uma delas já foi considerada boa para a prática balnear» («Bactérias poluem águas de cinco praias», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 25.08.2011, p. 18).

      E assim três vezes: E-coli, E-coli, E-coli. Os jornalistas são pródigos nestes descuidos ou parvoíces. Então não se trata da abreviação de Escherichia coli? E agora é o hífen e não o ponto que indica a abreviação? O pior é que no mesmo dia o erro tem logo seguidores convictos.

 

[Texto 429] 

Helder Guégués às 08:46 | comentar | favorito
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29
Ago 11

Léxico: «intradorso»

Mal explicado

 

 

      «Quem passa no Vale de Alcântara, em Lisboa, já se habituou aos arcos imponentes que sobre eles se erguem. Mas no seu intradorso – ou seja, na face interior e côncava dos arcos – acumulam-se as estalactites resultantes de cerca de 250 anos de bolsas de água» («Aqueduto em obras para que estalactites com quase um metro sejam removidas», Inês Banha, Diário de Notícias, 25.08.2011, p. 22).

      «Que sobre eles se erguem»? Quem são eles? E a definição de «intradorso» sofre de alguma redundância. O intradorso é a superfície interior de um arco, de uma abóbada ou arcada. A jornalista escreve ainda que são «formações de gelo» que pendem da parte interior dos arcos. Gelo?

 

[Texto 428]

Helder Guégués às 08:34 | comentar | favorito
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28
Ago 11
28
Ago 11

Sobre «media»

Ora esta...

 

 

      «Daí que ninguém possa afirmar saber o que será o porvir da imprensa. E se acaso a história nos permitir, uma vez mais, antever vagamente o futuro, há constantes que parecem evidentes. Que nenhum media desapareceu depois de um novo ter surgido. Que a evolução dos suportes físicos provocou sempre uma transformação dos media existentes e o lançamento de novos media. Que os meios dirigentes precisam sempre de uma informação de qualidade, de referência, e estão prontos a pagar por ela. E actualmente é a imprensa que propõe os melhores conteúdos e o melhor conforto de leitura. Permitir-lhe-á isso sobreviver?…» («Futurologias contrastadas», J.-M. Nobre-Correia, Diário de Notícias, 27.08.2011, p. 56).

      Em suma, media é invariável, é isso? Mas em que língua? Em latim não, decerto. E como não é português...

 

[Texto 427]

Helder Guégués às 09:20 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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