05
Set 11

Adjectivos compostos

Tudo em três linhas

 

 

      «Aloirada, magra, de pele muito branca e olhos castanhos claros, a francesa judia acabaria por casar com Carlos [Moedas, secretário de Estado adjunto], em 2000, também na cidade das luzes, debaixo de um chupah (toldo), como manda a tradição judaica (dela)» («O caldeirão Moedas», Sónia Sapage, Visão, 1.09.2011, p. 40).

      É a segunda vez, nos últimos 15 dias, que vejo a palavra hebraica chupah (ou chuppah, como é mais habitual ver). Mas o prosónimo de Paris merece iniciais maiúsculas, cara Sónia Sapage: Cidade das Luzes. Por último, e mais importante, aqueles olhos «castanhos claros». Há a ideia – que só ocorre a quem ainda não leu o texto do Acordo Ortográfico de 1990 – de que as novas regras ortográficas acabaram (!) com o hífen. O n.º 1 da Base XV do AOLP90 determina explicitamente que se emprega o hífen «nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido». Um dos exmplos é «azul-escuro». Por outro lado, trata-se de um adjectivo. O singular é castanho-claro, disso não há dúvida. E o plural? Para alguns, entre os quais me conto, se for substantivo é castanhos-claros; se for adjectivo, é castanho-claros. Na imprensa, não é habitual – sim, a pressão, a pressa explicam muita desatenção, mas não numa revista semanal – tantas subtilezas.

 

[Texto 453] 

Helder Guégués às 08:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Eleito como»

Poupem

 

 

      «Eleita. A chanceler alemã, Angela Merkel, como “A Mulher Mais Poderosa do Mundo em 2010”, pela Forbes» (Visão, 1.09.2011, p. 17). Não direi que é espúrio, mas que é desnecessário não há como negá-lo.

      «Apesar de isto, foi eleito almotacé por determinação de um Alvará e Carta Regia de 15 e 24 de Março de 1567, em que se allude á sua prisão de 1558» (História de Camões, Teófilo Braga. Lisboa: Imprensa Portuguesa, 1873, p. 60). Teófilo Braga, reparem, não escreveu que Camões «foi eleito como almotacé».

 

[Texto 452] 

Helder Guégués às 07:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Set 11

Ku Klux Klan

KKK

 

 

      Na última Visão (1.09.2011), o obituário fala-nos de Stetson Kennedy (1916-2011), «o inimigo do Ku-Klux-Klan». «Para ele isso era sinónimo de Ku-Klux-Klan. [...] A primeira denúncia, fê-la nos anos de 1940, durante o programa de rádio Superman. Na década seguinte publicou o primeiro livro, I rode with the Ku Klux Klan (Andei com o Ku Klux Klan)» (Emília Caetano, p. 17). Temos de tirar alguma conclusão, não é assim? Ei-la: se fizer parte de um bibliónimo, Ku Klux Klan escreve-se sem hífenes. É algo semelhante ao que fazem alguns tradutores: em português, é com hífenes. Tudo muito legítimo, só há um problema: isto não tem pés nem cabeça.

 

[Texto 451]

Helder Guégués às 07:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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