08
Set 11

Falsos cognatos

Todo o cuidado

 

 

      Uma viúva rica, ainda frescaça, decide deixar o casinhoto insalubre e escuro na cidade e ir habitar uma casa de que era proprietária numa aldeia remota. Logo no primeiro dia, coou filtros cupidíneos através das enxúndias do peito do filho da inquilina que habitava o rés-do-chão da casa, pelo que, em vez de gozar da paz que esperara da campanha... Esperem! Ah, cá está um falso amigo. Quanto mais próxima é da nossa a língua de partida, mais cuidado é preciso ter. Dalla campagna...

 

[Texto 464]

 

Helder Guégués às 15:42 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Pontuação

Em boa companhia

 

 

      E a propósito de vírgulas tão despropositadas, o decantado Sousa Homem escreveu assim na crónica da edição da revista que citei no post anterior: «Os Homem, pela cartilha de Dona Ester, minha mãe, achavam que o sol, a praia, o iodo e as viagens para lá de Espanha, eram o antídoto contra a pequenez e os costumes — e achavam que as grandes paisagens, as grandes personagens (do senhor Dom Miguel ao Remexido, de Dona Carlota Joaquina a João Franco, para não mencionar uma galeria de autores rebeldes e afastados das Selectas) e os grandes desígnios, não fazem parte dos gostos dos portugueses» («Os portugueses gostam pouco de Portugal», p. 18).

 

[Texto 463]

 

Helder Guégués às 14:58 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Linguagem

É fazer as contas

 

 

      Nuno Crato, leio aqui na revista Domingo, do Correio da Manhã (ed. n.º 11 756), é «filho do primo-sobrinho-trineto em 2.º grau do barão e 1.º visconde de N. S. da Luz». A fonte da informação é, ao que parece, a Wikipédia, esse fenómeno dos tempos hodiernos.

 

 

[Texto 462]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Acordo Ortográfico

O cobrador do fraque

 

 

      Uma coisa é certa: «Ao PÚBLICO, fonte do ministério adiantou que “os erros ortográficos serão cobrados nas [provas nacionais] a partir do momento em que todos os manuais estejam adaptados ao novo português”. Quanto ao resto, “haverá recomendações aos professores”. Entretanto, o Ministério da Educação disponibilizou material de apoio, a par de algumas acções de formação» («Professores não sabem se devem penalizar “erros”», Natália Faria, Público, 8.09.2011, p. 3).

 

[Texto 461] 

Helder Guégués às 14:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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08
Set 11

Como se escreve nos jornais

Pelo menos

 

 

      «“Os alunos que não adoptem as novas regras ortográficas hão-de coleccionar reprimendas peremptórias que os obrigarão a estudar ao fim-de-semana”. Se esta frase surgisse num teste, o professor teria pelo menos cinco erros ortográficos a sublinhar. Ao abrigo do acordo ortográfico que chega hoje às escolas a forma correcta de a escrever é “Os alunos que não adotem as novas regras ortográficas, hão de colecionar reprimendas perentórias que os obrigarão a estudar ao fim de semana”, ou seja, caem os hífens e as consoantes mudas» («Professores não sabem se devem penalizar “erros”», Natália Faria, Público, 8.09.2011, p. 3).

      «Pelo menos»? Que imprecisão é essa, cara Natália Faria? Não significa acaso a expressão «pelo menos» «no mínimo»? Ou será que para uns professores a frase apresenta cinco erros, enquanto para outros serão sete?

     Por outro lado, porque é que os professores não sabem se devem penalizar os «erros»?

 

[Texto 460]

 

Helder Guégués às 13:52 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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