12
Set 11

Tradução

À grande e à francesa

 

 

      «Il menait grand train.» «Ele», verteu o tradutor, «vivia à grande e à francesa.» Nem todos se sairiam tão bem. E a frase traz-me à memória uma expressão condenada por muitos e muito usada no século XIX: «É, porém, de notar que a capellista, informada do trem de vida de D. Gabriella, impediu que a sogra do estudante lhe visitasse a nora em sua casa» (Mistérios de Fafe, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Campos Júnior, 1877, p. 188). Nem Camilo soube resistir...

 

[Texto 474]

Helder Guégués às 20:25 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Conceito

Achegas para uma paremiologia moderna

 

 

      «Este Verão tenho ouvido dizer — agora que vão começar as férias das pessoas que trabalham onde todas as outras fazem férias — a expressão “só faz falta quem cá está”. Fui à Maria João e ela disse-me que era uma maneira de criticar os que tinham abandonado o posto, como quem diz “deixá-los estar, que estamos melhor sem eles”. Fui ao Google e fiquei parvo com o número das ocorrências. Serei o único português que nunca ouviu falar deste provérbio? E com razão. Não é possível conceber palavras mais frias e práticas; menos portuguesas, saudosistas e românticas» («O que faz falta», Miguel Esteves Cardoso, Público, 12.09.2011, p. 31).

      É mesmo um provérbio? Em googlês diz-se que sim, mas não me parece que a sabedoria de Salomão o contivesse. A mim, este dito popular afigura-se-me, pelo contrário, coisa mesmo portuguesa.

 

[Texto 473] 

Helder Guégués às 13:02 | comentar | favorito
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Gerúndio

A arte da gramática

 

 

      «É uma mudança que custa a todos. Somos seres de hábitos, mas as pessoas não podem impedir a língua de continuar a evoluir. Se olharmos para a história da língua, encontraremos ‘pharmacia’ [farmácia], e ‘assucar’ [açúcar]”, diz Ana Soares, professora de Português e autora de um manual seguindo o novo Acordo Ortográfico» («Acordo Ortográfico nas salas de aula», Rita Pimenta, Pública, p. 52).

      «Autora de um manual seguindo o novo Acordo Ortográfico»! Pobre gerúndio, pobre língua. O erro nasce, já aqui o dissemos mais de uma vez, de imitação do francês. Estranho é que, depois de tantas advertências, os jornalistas continuem a escrever assim.

 

[Texto 472] 

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Acordo Ortográfico

Como se chegou a temer

 

 

      «O Acordo Ortográfico de 1990 entra na escola esta semana. É um facto (e não um “fato”, como se chegou a temer). Professores e alunos terão de trabalhar mais para se adaptarem. A Pública falou com uma professora que defende que “um acordo actualizado fazia falta”, com uma aluna que diz que “era escusado” e com um aluno que “nem tinha pensado nisso”» («Acordo Ortográfico nas salas de aula», Rita Pimenta, Pública, p. 52).

      Chegou-se a temer isso? Bem, já aqui revelei que certos professores de Português afirmam que «vão ter de aceitar todas as grafias», como se este acordo não fosse claro — pelo menos nesse aspecto — que há variantes específicas de uma variedade da língua portuguesa.

 

[Texto 471] 

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Ir em modas»

Só exorcizados

 

 

      Claudia Schiffer e o marido compraram uma mansão no Reino Unido. Só mais tarde souberam que a casa estava assombrada por fantasmas: dois quadros amaldiçoados e um fantasma chamado Penépole. Não é fácil ser-se rico. «Schiffer e o marido», conta o Diário de Notícias, «não foram de modas e, uma vez que não se queriam desfazer da vivenda, contrataram uma equipa de exorcistas para “expulsar” as entidades sobrenaturais da mansão que lhes custou cerca de seis milhões de euros» («Cláudia Schiffer expulsou os fantasmas de sua casa», Diário de Notícias, 10.09.2011, p. 53).

      Mas não é ir em modas, que não vejo dicionarizado, contudo, que se diz? Por outro lado, se o jornalista (Ana Filipe Silveira?) escreveu Cláudia Schiffer, não deveria ter escrito, na mesma página, Ângela Merkel? Qual é a diferença?

 

[Texto 470]

Helder Guégués às 09:10 | comentar | favorito
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12
Set 11

Tradução

Sem pensar

 

 

      J.-M. Nobre-Correia escreve que o diário espanhol Público «vai despedir 39 pessoas, uns 20% do total da equipa. Por outro lado, o Público propõe-se também proceder a uma redução salarial por níveis de remuneração. A empresa editora justifica tais decisões pela “brusca caída das receitas publicitárias”, apesar do crescimento da difusão e da audiência do jornal» («Da emoção ao apagamento», Diário de Notícias, 10.09.2011, p. 51).

      Caída em castelhano, que nós, apesar de também termos o vocábulo, dizemos «queda».

 

[Texto 469] 

Helder Guégués às 08:37 | comentar | ver comentários (17) | favorito
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