22
Set 11

Pronomes

Pronome dativo ou pronome acusativo?

 

 

      «Aos 13 annos era ainda um aprendiz de alfaiate, repellido d’este para aquelle mestre, desacreditado em todos, e inutilmente espancado por todos. Chamavam-no incorrigivel, e elle mesmo conheceu que o era» (Cenas Contemporâneas, Camilo Castelo Branco. Porto: em casa de Cruz Coutinho, 2.ª ed., 1862, p. 150).

      «Era um sensitivo e chamavam-lhe libertino. Um libertino amável, como o classificara um dos amigos. Sim, gostava de olhar uma mulher, contemplá-la de alto a baixo, demorando-se» (O Cavalo Espantado, Alves Redol. Lisboa: Publicações Europa-América, 1972, p. 25).

      «A frase correcta é a frase B: “O nome dele é Diamantino, mas os amigos chamam-lhe Tino.” Ora bem, temos mais uma vez no nosso Jogo da Língua uma questão relativa à sintaxe da língua portuguesa. O que é que acontece? “Tino” tem a função sintáctica de predicativo do complemento directo. Façamos uma pequena, brevíssima análise sintáctica desta frase. “Os amigos” é o sujeito daquela segunda oração coordenada adversativa. “Os amigos” é o sujeito do verbo chamar. “Lhe” é o complemento indirecto. Portanto, chamam ao Diamantino, chamam ao Diamantino o quê? Chamam Tino ao Diamantino. Ao Diamantino, aquele “lhe” que está sob a forma de pronome dativo, é o complemento indirecto, e “Tino” tem a função de predicativo do complemento indirecto. Portanto, a frase correcta é a frase B» (Sandra Duarte Tavares, Jogo da Língua. Antena 1, 22.09.2011).

 

[Texto 505]

 

Helder Guégués às 19:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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A influência do inglês

Por exemplo

 

 

      «Moore, como outros conservadores e liberais esclarecidos, acha que rejeitar o capitalismo e concordar com o que dizem antigos inimigos, politicamente à esquerda deles, é uma traição excitante. Muito pelo contrário: é o facto de os regimes ditadoriais [sic] e não-democráticos, como é o caso da Rússia e da China, se darem melhor com o capitalismo comercial e genuíno do que com o pseudocomunismo do capitalismo dito “de Estado”, que nos deveria preocupar. Cheira mal» («Não ao capitalismo», Miguel Esteves Cardoso, Público, 21.09.2011, p. 35).

      A propósito do uso de ocasionalmente, Fernando Venâncio comentou aqui que «é uma daquelas traduções muito serviçais do inglês». E advertiu: «Conviria sermos menos preguiçosos.» Gostava agora de saber o que pensa sobre o uso de «excitante».

 

 

[Texto 504]

Helder Guégués às 08:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se fala na televisão

Eh lá!

 

 

      Ora vejam lá este primor de frase do autor de O Códex 632 no Telejornal de ontem à noite: «Pinto Monteiro quer apurar que crimes podem ter sido cometidos e, se sim, quais.»


[Texto 503] 

Helder Guégués às 07:52 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Acordo Ortográfico

[Texto 502] 

Helder Guégués às 07:35 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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22
Set 11

Como se escreve nos jornais

Só isto

 

 

      «Mas mesmo assim há inúmeras limitações, novamente decorrentes da própria lei que rege o funcionamento do Tribunal de Contas, a única entidade que pode aplicar sanções de ordem financeira, um tipo de responsabilidade que complementa a responsabilidade política e a responsabilidade criminal. Isto porque o número dois do artigo 61 da Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas limita a responsabilidade dos membros do Governo, remetendo expressamente para um decreto de 1933, aprovado ainda no Estado Novo» («Parlamento inviabilizou sempre sanções financeiras», Mariana Oliveira, Público, 21.09.2011, p. 10).

      Não vou tecer nenhuma consideração: dir-me-á o leitor se acha que a jornalista tem alguma ideia do valor das palavras.

 

[Texto 501]

 

Helder Guégués às 07:29 | comentar | favorito
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