25
Set 11

Inglês

Não desfazendo

 

 

      A jornalista Carla Amaro quis saber porque é que a cantora Aurea canta em inglês: «Porque o estilo [soul] o justifica. Eu e o Rui achámos que não fazia sentido cantar as músicas do álbum em português, achámos que devíamos ser fiéis à raiz da soul e a raiz é em inglês. Não quero dizer que a soul não possa ser cantada em português. Claro que pode e há em Portugal quem a cante com muita alma» («“Não me deixo deslumbrar”», Notícias Magazine, 18.09.2011, p. 27).

 

[Texto 523] 

Helder Guégués às 18:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «trench-coat»

Tudo igual

 

 

      Nos jornais, ainda não atinaram com a tradução de trench-coat, que já nos ocupou: «As portuguesas já perceberam que ter um bom casaco de Inverno significa andar protegida do frio e da chuva (apesar de esta peça não substituir em pleno o trench-coat), evitando ter de vestir roupa a mais por baixo do mesmo» («O agasalho ideal», Catarina Vasques Rito, Notícias Magazine, 18.09.2011, p. 68).

      E diz-se em pleno ou plenamente, completamente? Em pleno é sinónimo de no seio, no meio, na plenitude.

 

 

      [Texto 522]

Helder Guégués às 18:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «baba»

Inesperado

 

 

      «Mais maravilhas do cinema (e das séries de TV): nenhuma moça perdida meses numa ilha fica com buço ou pêlos nas pernas e axilas, quanto mais cabelo baço e embaraçado. No meio do desastre de avião ou do naufrágio ou lá o que foi logrou manter consigo, a valente, o nécessaire com escova, champô e amaciador mais creme depilatório e, já agora, loção solar (pena ter perdido o telemóvel e o estojo de primeiros socorros), enquanto os seus comparsas masculinos manterão sempre barba de, vá, cinco dias. E nem uns nem outros se queixarão de falta de papel higiénico, desodorizante ou repelente de insectos – apesar de dormirem ao ar livre, os nossos amigos nunca acordam cheios de babas na cara» («Só nos filmes», Fernanda Câncio, Notícias Magazine, 18.09.2011, p. 12).

      Parece mentira, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora esqueceu-se mesmo desta acepção — erupção cutânea, geralmente acompanhada de prurido — da palavra «baba». Esperem lá: o Dicionário Houaiss também a não regista! Nem os dicionários de Morais, Aulete, Bluteau, José Pedro Machado... Só mesmo no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, onde fui buscar a definição.

 

 

[Texto 521] 

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Jornais

Face a face

 

 

      «Livre das acusações de violação que enfrentava nos Estados Unidos, Dominique Strauss-Kahn vai agora ter de olhar nos olhos a jovem escritora e jornalista francesa que também o acusa de a ter tentado violar em 2003. O Ministério Público de Paris anunciou ontem que está para breve o frente-a-frente entre o ex-director do Fundo Monetário Internacional e Tristane Banon.

      “No quadro da sua investigação preliminar, o Ministério Público de Paris decidiu proceder à confrontação entre Tristane Banon e Dominique Strauss-Kahn”, declarou o procurador da República» («Strauss-Kahn frente a frente com a francesa que o acusa de violação», Diário de Notícias, 24.09.2011, p. 31).

      Frente-a-frente, confrontação... mas em Direito não se diz acareação? Acarear, noutras acepções, é verbo que Camilo usou em muitas das suas obras. «A tempo verão se é perdoável o ódio, ou se antes me não fora melhor abrir mão desde já de uma história que me pode acarear enojos dos frios julgadores do coração, e das sentenças que eu aqui lavrar contra a falsa virtude de homens, feitos bárbaros, em nome de sua honra» (in Amor de Perdição).

 

[Texto 520] 

Helder Guégués às 08:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Set 11

Léxico: «zaidismo»

Nem por um minuto

 

 

     «Saleh é membro da família Al-Ahmar e, de acordo com a tradição, subordinado ao xeque. No entanto, o Presidente conseguiu manter do seu lado parte substancial do regime e do exército (os Hashid representam um terço da população e professam o zaidismo, do ramo xiita do Islão). Embora esteja isolado, o grupo de Saleh tem uma poderosa componente militar, já que o Presidente fez a sua carreira no exército, chegando à patente de general» («Saleh regressa ao Iémen e pede trégua que permita ‘diálogo’», Luís Naves, Diário de Notícias, 24.09.2011, p. 31).

      O termo não aparece em nenhum dicionário da língua portuguesa. Pelo menos hoje, que segunda-feira já a coisa poderá mudar. E outra coisa: no Diário de Notícias não grafavam o nome da religião em minúscula? «A investigação foi realizada ainda antes dos comentários de Obama favoráveis à construção de uma mesquita na zona de impacto, em Nova Iorque, pelo que se prevê um aumento de 7% no número de pessoas a pensar que o 44.º Presidente dos EUA segue o islão» («Fé de Obama confunde americanos», C. R. F., Diário de Notícias, 20.08.2010, p. 28). Não nos podemos distrair.

 

[Texto 519] 

Helder Guégués às 08:01 | comentar | favorito
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