27
Set 11

De «Vietename» a «melhorezinhos»

Então leiam

 

 

      Um artista da escrita escreveu aqui «melhorezinhos», o que me fez lembrar de um caso semelhante de epêntese: nos idos de 1950, escrevia-se correntemente na imprensa portuguesa Vietename. Sabiam? «A crise do Vietename ameaça reflectir-se desfavoràvelmente nas relações franco-americanas», lia-se na edição de 28 de Abril de 1955 do Diário Popular. E lá aparece um desenho do rosto de Ho Chi Minh, «o ditador do Vietename do Norte».

 

[Texto 529] 

Helder Guégués às 12:09 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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27
Set 11

Vocabulário Ortográfico Comum

Que voltas vão dar


 

      É notícia de ontem: os lexicógrafos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão reunidos em Cabo Verde para definir a metodologia destinada a «consolidar» os dois vocabulários ortográficos já existentes. Gilvan Moller, o director executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), afirmou que «nesta reunião, vamos criar a metodologia para a consolidação dos dois vocabulários que já existem em Portugal e no Brasil num só, a partir de uma base informática comum e usando os mesmos critérios de incorporação das palavras», o que deverá estar pronto até à Cimeira de Maputo, prevista para Julho de 2012.

      Sempre dissemos, os cépticos, que jamais iria haver um vocabulário ortográfico comum — agora talvez tenhamos de passar a dizer: «Vamos ver o que sai.» Quanto a mim, só espero para ver que voltas especiosas vão dar ao conceito de comunidade para o adequarem ao que vão engendrar.

 

[Texto 528]

Helder Guégués às 06:10 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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26
Set 11

Repetições

Não é o fim do mundo, mas

 

 

      «No TLS de 14 de Setembro Angus Trimble [sic] escreveu sobre um livro de Terry Castle, The Professor and Other Writings. Neste livro, ela revela, entre outras revelações, que, de todos os livros que leu, releu, ensinou e analisou, o “greatest book I’ve ever read” é a autobiografia de Art Pepper, gravada e compilada pela última mulher dele, Laurie Pepper» («Art Pepper», Miguel Esteves Cardoso, Público, 26.09.2011, p. 31).

      Há repetições e repetições, sim. «Revelar revelações» não deveria ter resistido a uma segunda leitura.

 

[Texto 527] 

Helder Guégués às 18:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Família de palavras/área vocabular

Um pesadelo

 

 

      O ex-agente da Polícia Marítima não acertou — mas a maior argolada foi dada, a pedido, por Filomena Crespo. «Qual das seguintes palavras pertence à mesma família de “onírico”? Será “honra”, “anão” ou “sonho”? O que é que acha?»

      A expressão família de palavras identifica «o conjunto de todas as palavras que se agrupam em torno de um radical comum, do qual se formaram pelos processos de derivação ou de composição», lê-se na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra. Onde está, no exemplo do Jogo da Língua, o radical comum? «Onírico» e «sonho» fazem parte do mesmo campo semântico ou da mesma área vocabular, não da mesma família de palavras.

      E pronto, o senhor ex-agente não ganhou o último romance de Clara Pinto Correia, «uma das mais importantes escritoras portuguesas».

 

[Texto 526] 

Helder Guégués às 18:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Obrigatoriedade de»

Obrigatório

 

 

      «A obrigatoriedade imposta aos juízes para despachar anualmente um número mínimo de processos pouca ou nenhuma influência vai ter na produtividade dos tribunais» («Mínimo de decisões exigido a juízes castiga os mais lentos», Licínio Lima, Diário de Notícias, 26.09.2011, p. 16).

      «Obrigatoriedade para»? E o verbo no infinitivo impessoal? Até no Boletim Geral das Colónias se escrevia melhor. «A obrigatoriedade imposta aos juízes de despacharem anualmente um número mínimo de processos pouca ou nenhuma influência vai ter na produtividade dos tribunais.»

 

[Texto 525]

 

 

Helder Guégués às 09:23 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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26
Set 11

Anglicismo

Insuportável

 

 

      «Zara quer mostrar que não há nada que abala [sic] a relação (que já leva oito anos) e que a explicação, entretanto avançada, de que a mulher é amiga do casal há vários anos – tendo marcado presença no casamento de Julho passado – é suportada por ela própria e que o marido tem todo o seu apoio neste momento da sua carreira» («Zara Phillips apoia o marido após suspeita de traição», Diário de Notícias, 24.09.2011, p. 53).

      Este «é suportada» não é anglicismo?

 

[Texto 524] 

Helder Guégués às 09:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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25
Set 11

Inglês

Não desfazendo

 

 

      A jornalista Carla Amaro quis saber porque é que a cantora Aurea canta em inglês: «Porque o estilo [soul] o justifica. Eu e o Rui achámos que não fazia sentido cantar as músicas do álbum em português, achámos que devíamos ser fiéis à raiz da soul e a raiz é em inglês. Não quero dizer que a soul não possa ser cantada em português. Claro que pode e há em Portugal quem a cante com muita alma» («“Não me deixo deslumbrar”», Notícias Magazine, 18.09.2011, p. 27).

 

[Texto 523] 

Helder Guégués às 18:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Set 11

Tradução: «trench-coat»

Tudo igual

 

 

      Nos jornais, ainda não atinaram com a tradução de trench-coat, que já nos ocupou: «As portuguesas já perceberam que ter um bom casaco de Inverno significa andar protegida do frio e da chuva (apesar de esta peça não substituir em pleno o trench-coat), evitando ter de vestir roupa a mais por baixo do mesmo» («O agasalho ideal», Catarina Vasques Rito, Notícias Magazine, 18.09.2011, p. 68).

      E diz-se em pleno ou plenamente, completamente? Em pleno é sinónimo de no seio, no meio, na plenitude.

 

 

      [Texto 522]

Helder Guégués às 18:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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