08
Out 11

«Info-excluído/infoexcluído»

Com ou sem

 

 

      «Eu ia dizer uma tolice, que era, se eu mandasse, as escolas abriam hoje a ouvir o discurso de Steve Jobs, em 2005, na Universidade de Stanford. É para ver como sou velhadas e tenho de pensar duas vezes para me dar conta que, ontem, os jovens foram ao YouTube ouvir esse discurso inspirador. Sendo que é melhor ter Jobs em pessoa, no meu ecrã, em vez de aula obrigatória. Eu, infoexcluído militante (desligar e voltar a ligar é o mais longe que vou na resolução dos problemas de computador), descubro na vida e obra de Steve Jobs o sentimento raro que já encontrei ouvindo – eu, ateu – uma missa de rito caldeu na Basílica de São Pedro» («O homem que cuidou dos pormenores», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 7.10.2011, p. 56).

      Nos dicionários da Porto Editora, a grafia registada é com hífen: info-exclusão. Neves Henriques chegou a sugerir que se preferisse inforexclusão para evitar o hiato.

 

 

[Texto 562] 

Helder Guégués às 17:56 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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Léxico: «cubre»

Ilha das Flores

 

 

      «Metrosídero», enfim, não me surpreende que não tenha sido até hoje acolhido pelos dicionários gerais da língua portuguesa — mas «cubre»? Meu Deus, até dá nome à fajã da Ribeira Seca. Fajã dos Cubres. O certo é que há termos bem mais exóticos, invulgares e usados com menos frequência nos dicionários.

 

[Texto 561] 

Helder Guégués às 17:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Não se o»

Olha, olha

 

 

      «La única excepción a este castigo por encubrimiento [...] en tal caso, si para acreditar la exceptio veritatis debe aportar documentos obtenidos mediante violación del secreto de la investigación, no se le persigue como encubridor».  E os tradutores? «Não se o perseguirá pelo favorecimento pessoal». Onde é que eu já vi isto?

 

 

[Texto 560] 

Helder Guégués às 11:22 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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«Tranquilizador»/«tranquilizante»

Mas cada um

 

 

      «O primeiro-ministro, um ou outro ministro e vários comentadores voltaram a manifestar preocupação de que a crise pudesse degenerar em violência como na Grécia. Não há segurança nenhuma de que não degenere, mas talvez seja tranquilizante pensar que a Grécia é um país novo (até ao princípio do século XIX fazia parte do império turco), que recentemente sofreu uma invasão alemã (o que não o tornou muito germanófilo) e passou depois por uma resistência generalizada ao nazismo, por uma guerra civil e por uma ditadura militar» («Violência?», Vasco Pulido Valente, Público, 8.10.2011, p. 36).

      Há outros pares de adjectivos («contagioso»/«contagiante», v. g.) à primeira vista intermutáveis, mas depois verifica-se que cada um tem um uso mais específico. No caso, eu usaria «tranquilizador» e não «tranquilizante» (que, como substantivo, também é o medicamento de acção neurossedativa usado nas situações de ansiedade e de emotividade).

 

[Texto 559] 

Helder Guégués às 11:09 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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08
Out 11

Garrett

Digam-lhe, que ela é nova

 

 

      «No Cartaxo, [o Presidente da República] citou uma conversa de Almeida Garrett com o dono do café da terra para deixar um aviso.» E a repórter da RTP, Daniela Santiago, quis que o nome do escritor rimasse com café: Garré. Este bem dizia que escrevia com dois tt para pelo menos lhe lerem um, mas a ironia não chegou a todos os ouvidos modernos.

 

 

[Texto 558] 

Helder Guégués às 06:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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