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Out 11

«É de pura lógica»?

De contrabando

 

 

      «Salvo en casos excepcionalísimos de absoluta flagrancia, es de pura lógica que, etc.» E os tradutores (dois)? «Salvo em casos excepcionalíssimos de absoluto flagrante, é de pura lógica que, etc.» E esta forma de dizer é portuguesa? Emparelha — até porque estamos a falar de dois tradutores — com o «logicamente» contrabandeado de Espanha de Luís Figo.

 

[Texto 572] 

Helder Guégués às 14:57 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Ou será «rompente»?

 

 

      «Dos indignados que têm pernoitado em Wall Street aos protestantes das ruas de Atenas, Madrid ou Lisboa há certamente muitas semelhanças ou pontos de contacto. Em todos eles, por exemplo, se vê uma genuína raiva contra bancos e banqueiros, uma percepção de que os responsáveis permanecem à “solta”, um tom severo de caça aos ricos e poderosos, uma rompante impotência e falta de fé naquilo que o futuro nos reserva» («Do baú das ideologias», Pedro Lomba, Público, 11.10.2011, p. 32).

      Impotência precipitada? Impotência impetuosa? Impotência arrogante? Impotência orgulhosa? Desisto!

 

[Texto 571]

Helder Guégués às 13:38 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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«Homilia/homília»

Falsa esdrúxula

 

 

      «“Deixai que bos fale na buossa lhéngua mirandesa; perdonai-me se nun la sei falar tan bien cumo bós”, foram as primeiras palavras em mirandês proferidas por D. José Cordeiro, durante a parte final da homília que decorreu na Sé de Miranda» («Bispo deu parte da missa em mirandês», Diário de Notícias, 10.10.2011, p. 11).

      Os leitores mais atentos viram decerto que no texto sobre o vocábulo «concatedral» foi usada a palavra «homília» e não, como é mais vulgar, «homilia». E usada quatro vezes.

     No mesmo artigo, uma caixa de texto relembra que o mirandês é desde Janeiro de 1999 a segunda língua oficial de Portugal, mas que «não existe um número rigoroso de falantes». Ah não?

 

 [Texto 570] 

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Privar da companhia»

Pois é

 

 

      «Lili Caneças usou um vestido de cores vibrantes e revelou que é uma mulher bastante atenta ao que se passa na moda. A ex-deputada Marta Rebelo, que é uma presença habitual neste evento, privou da companhia do actor Heitor Lourenço, que esteve sempre bastante divertido» («Último dia recheado de famosos e de ‘glamour’», Diário de Notícias, 10.10.2011, p. 46).

      Expressão interessante: «E decidiu que a tentativa de suicídio tivesse sido por ele se privar da companhia dela, nesse internato indecoroso dos Três Irmãos Carecas» (O Adeus às Virgens, Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa: Editorial Caminho, 1998, p. 179). «Até 2003, Leni Riefenstahl ainda assustava como a última sobrevivente daqueles que privaram da companhia de Hitler, e que dele mereceram admiração irrestrita» (Imagem, Tempo e Movimento, Mauro Luiz Rovai. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 91).

 

 

[Texto 569] 

Helder Guégués às 09:35 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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11
Out 11

Léxico: «desconvidar»

Para variar

 

 

      «Na entrevista, Vasconcellos aborda o caso Bernardo Bairrão, ex-administrador delegado da Media Capital, convidado pelo Governo PSD/CDS para secretário de Estado da Administração Interna e depois desconvidado. Diz ter excelentes relações com Bairrão, com quem já teve uma ligação familiar» («Nuno Vasconcellos quer RTP toda privatizada», Filomena Araújo, Diário de Notícias, 10.10.2011, p. 51).

      Não é todos os dias que se vê o verbo desconvidar — que, além do óbvio significado de anular convite também significa não incitar, não atrair, não despertar: «Essa mulher desconvida qualquer galanteio.» (Exemplo da Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.)

 

 

[Texto 568] 

Helder Guégués às 08:47 | comentar | favorito
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