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Out 11

Léxico: «puxanço»

Não deixaremos

 

 

      Está aqui um leitor muito preocupado porque a palavra «puxanço» está a desaparecer de todos os lados. Puxanço, «aquele golpe de raqueta violento e quase indefensável que se dava no pingue-pongue», explica-me. Teme, e com razão, que seja substituído por «um anglicismo despudorado, como smash». O Aulete regista-o, referindo-o embora apenas ao bilhar. A MorDebe regista-o. A nossa memória regista-o.

 

 

[Texto 575] 

Helder Guégués às 12:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Ventre à terre»

Não me parece

 

 

      «Hommes, mammifères ventre à terre, serpents rampants s’enfuient.»

      Estava aqui a pensar se não teremos, mas creio que não, uma expressão idiomática semelhante. Há muitas expressões iguais em várias línguas, holismos, já o temos visto. Deixar as calças, por exemplo, um sinónimo de morrer, em francês diz-se laisser ses grègues. Mas tirer ses grègues, pôr-se a milhas, não tem uma correspondência exacta.

 

[Texto 574]

Helder Guégués às 11:42 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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12
Out 11

Pontos cardeais

Não sopra daí

 

 

      «Ainda anteontem, neste Outubro levado da breca, fui um dos peixes imperadores da Praia Grande, boiando pelas vagas adentro, apontando com os dedos dos pés, como os mortos, hesitando entre o ter medo e o dar glória a Deus. O calor é estranho — meio-vento de Espanha, meio-vento de África —, ocupando os dois pontos cardeais que mais nos abafam e irritam: o Leste e o Sul» («Estação só para nós», Miguel Esteves Cardoso, Público, 12.10.2011, p. 35).

      Os hífenes no «meio» não são necessários. Quanto aos pontos cardeais, saiba Miguel Esteves Cardoso que se grafam e continuarão a grafar com minúscula inicial.

 

 

[Texto 573] 

Helder Guégués às 09:08 | comentar | favorito
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