Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «quatrínqua»

Alguém o tem visto?

 

 

      «E com isto amaino, beijando essas poderosas mãos uma quatrínqua de vezes, cuja vida e reverendíssima pessoa nosso Senhor, etc.», despede-se Camões numa das cartas. Onde pára (ou «onde para», na nova ortografia) o vocábulo «quatrínqua»? Desapareceu na voragem do tempo. Será castelhanismo? Digo-o, embora, naturalmente, pareça mais directamente provir do latim, porque os dicionários actuais ainda registam quatrinca, do castelhano cuatrinca, quatro cartas do mesmo valor, no jogo.

 

[Texto 585]

«Primavera Árabe»

Não é só a mesma estação

 

 

      «Tem seguido as Primaveras Árabes. Que impressão tem sobre esse processo?», perguntam, no Público de hoje, Isabel Coutinho e Miguel Gaspar a Ricardo Pereira, director da TV Globo Portugal.

      Já mais de uma vez pensei — perante a diversidade do que leio, mas não só — qual a melhor forma de grafar a expressão. Ocorre-me outra semelhante, a que dá nome à época de descompressão no final do Estado Novo. Assim, vê-se: «primavera marcelista»; primavera marcelista (usada por Cunhal, que acrescentou: «expressão deliciosa»); Primavera marcelista; «Primavera marcelista»; «Primavera Marcelista»; primavera Marcelista... Tanto num caso como no outro, a que me parece que se deve adoptar é com maiúsculas iniciais, sem aspas: Primavera Árabe, Primavera Marcelista.

 

[Texto 583]