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Out 11

Sobre «travo»

Hum...

 

 

      «Expulsa pelo nariz, devagar, o fumo do primeiro travo e sente-se vacilar durante um instante.» Eu também me sinto vacilar um pouco. Podemos travar o fumo do cigarro — mas nunca antes vira o substantivo deverbal (é disso que se trata?) «travo». Conheciam? Só conheço o «travo» que todos conhecerão: o sabor adstringente de bebida ou comida ou, figuradamente, o vestígio ou impressão desagradável.

      «Tirei um cigarro e acendi-o. Inalei o fumo, travando-o nos pulmões até a vista me turvar» (O Rei do Volfrâmio, Miguel Miranda. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2008, p. 55).

 

 [Texto 597] 

Helder Guégués às 18:31 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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«Ter ganhado»

Em bom português

 

 

      «The Sense of an Ending, a novela de Julian Barnes que esta semana ganhou o prémio Booker, lê-se em duas horas. Levou um ano a escrever, disse o autor ao melhor telejornal do mundo — a Newsnight da BBC 2 — logo depois de ter ganho» («O Booker», Miguel Esteves Cardoso, Público, 21.10.2011, p. 41).

      Ter ganhado está mais conforme com os cânones da língua. «Eu só uso outro quando me engano», comentou aqui Montexto recentemente. Também há o contrário: quem acerte apenas quando se engana.

 

[Texto 596] 

Helder Guégués às 08:32 | comentar | ver comentários (14) | favorito
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«Backbenchers»

Se não se importam

 

 

      «Cameron já ordenou aos líderes parlamentares para imporem disciplina partidária, mas o problema não deve desaparecer, pois a iniciativa surge ao abrigo de um novo procedimento que facilita a discussão de propostas apresentadas pelos deputados menos relevantes, como é o caso de Nuttall, os chamados backbenchers, que se sentam nos lugares de trás do parlamento» («Parlamento britânico discute referendo sobre saída da UE», Diário de Notícias, 20.10.2011, p. 25).

      Muito bem: se explicam o significado, podem usar estrangeirismos, tanto mais que não há em português um termo para dizer o mesmo.

 

[Texto 595] 

Helder Guégués às 07:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Out 11

Ortografia: «Salonica»

Assim está bem

 

 

      «Michael Staikos era, actualmente, o mais alto dignitário da Igreja Ortodoxa na Áustria. De origem grega, o metropolita ortodoxo — cargo hierárquico similar a arcebispo — estudou teologia na Universidade de Salonica» («Um defensor do diálogo ecuménico e inter-religioso», Diário de Notícias, 20.10.2011, p. 43).

      Houve uma altura em que, na imprensa, o topónimo era sempre grafado como esdrúxulo — que não é.

 

[Texto 594] 

Helder Guégués às 07:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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