26
Out 11

«Eixo»

E depois dá nisto

 

 

      Um autor, a propósito da Primeira Guerra Mundial, fala nos países do Eixo... Isto foi ontem. Agora, acabo de ver que o termo foi usado por Mussolini, em 1936, ao estabelecer a comparação com um eixo para descrever a colaboração dos Estados fascistas. Potenze dell’Asse. (Que depois do 11 de Setembro voltou a ser usada, agora na boca de Bush: axis of evil.) Curiosamente, e apesar de ser mais de cariz enciclopédico, a acepção (e não, valha-me Deus!, asserção, como escreve aqui um professor universitário) está ausente dos dicionários.

 

[Texto 615] 

Helder Guégués às 09:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «crusading journalist»

Ainda anteontem

 

 

      Estava aqui a pensar no primeiro-ministro, que de vez em quando usa o vocábulo «engajado», esse galicismo grosseiro e intolerável, como Vasco Botelho de Amaral o qualificou. «Jornalista de cruzada», como vejo aqui traduzido, parece-me servil e demasiado bélico. «Jornalista comprometido» talvez seja o mais próximo do conceito que se pretende transmitir.

 

[Texto 614] 

Helder Guégués às 06:45 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Plural de «item»

Essa cabecinha...

 

 

      Este é um erro muito comum: «Um dente molar do cantor inglês John Lennon vai estar em leilão na Omega, a partir de 5 de Novembro e com um preço de licitação mínimo de 11.500 euros. O molar foi um presente de Lennon a Dorothy Dot Jarlett, a empregada que lhe cuidava da casa entre 1964 e 1968, para que ela o desse de souvenir à sua filha, grande fã dos Beatles. “Este é um dos mais fantásticos e estranhos items que já tivemos à venda”, comentou à BBC Karen Fairweather, da leiloeira. “É um item raro, pelo que é com alguma dificuldade que lhe atribuímos um valor”, acrescentou» («Dente de John Lennon em leilão», «P2»/Público, 26.10.2011, p. 15).

 

[Texto 613] 

Helder Guégués às 06:12 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Como se fala na televisão

Ai não?

 

 

   Jornalista Ana Martins no Telejornal de ontem: «O professor de Economia recusa falar do Orçamento de Estado para 2012, diz que as eurobonds não são solução e diz ainda que a crise portuguesa não é só nacional.» Ai não? Querem agora ver que a crise portuguesa é espanhola?... Estão várias horas a escrever um texto de dez linhas e sai isto.

 

[Texto 612] 

Helder Guégués às 05:58 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Júri/jurado»

Perturbante, alucinatório

 

 

      «A escritora brasileira Andréa del Fuego demorou sete anos a escrever o primeiro romance, Os Malaquias, que conta de certa maneira a história da sua família — os bisavós morreram quando a casa foi atingida por um raio — e foi publicado no Brasil quando ela tinha 35 anos. Ontem, grávida, recebeu, em Lisboa, o Prémio José Saramago 2011, que lhe foi atribuído por unanimidade por um júri que elogiou o romance “áspero, poético, original” (Nélida Piñon, jurada).

   O júri considerou ainda que a sua escrita surpreende pelos “insuspeitados recursos de estranheza na coloquialidade quotidiana” e que se desenvolve “num ritmo muito seguro, perturbante e por vezes alucinatório” (Vasco Graça Moura, júri). “Jamais poderia pensar, sonhar, ou tomar um ácido e delirar que eu ganharia o Prémio José Saramago. Não chegaria a esse delírio!”, disse a autora na cerimónia» («Prémio José Saramago para brasileira», Isabel Coutinho, Público, 26.10.2011, p. 13).

 

[Texto 611] 

Helder Guégués às 05:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Out 11

Léxico: «farrapeiro»

Aquiliniana

 

 

      «Apesar de as perdas serem agora apenas metade das verificadas há dez anos, ainda assim é quase impossível seguir o trilho dos pijamas e dos lençóis hospitalares. Muito deste material anda por ambulâncias ou até em casas particulares. Mas também há aquelas peças que acabam por ser transformadas — de um lençol fazem-se fronhas e outros panos — e que terminam por ser negociadas com farrapeiros» («Roupa de hospitais vende-se como vestuário em feiras», José Bento Amaro, Público, 26.10.2011, p. 12).

       Aquilino usou muito o vocábulo na sua obra: «Como ela se postasse da parte de dentro da porta, percebeu logo o farrapeiro que o convidavam a entrar e foi avançando» (Volfrâmio, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Bertrand Editora, 1983, p. 345).

 

 

[Texto 610] 

Helder Guégués às 05:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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