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Nov 11

Tradução: «think outside the box»

A toque de caixa

 

 

      «As taxas de referência de detecção de pólipos de cada médico eram respectivamente de 21,5% e 27,16%. Mas, graças às composições do genial Amadeus, elas passaram para respectivamente 66,7% e 36,7%. “Tudo o que for possível fazer para aumentar essas taxas”, diz O’Shea, “tem o potencial de salvar vidas.” Apesar de ser muito pequeno, o estudo tem o mérito de pôr em evidência os benefícios de pensar “fora da caixa”, salienta a investigadora» («Colonoscopias: Mozart é preciso», Ana Gerschenfeld, «P2»/Público, 1.11.2011, p. 3).

      Mesmo com aspas, é — e não quero parecer sobranceiro — uma tradução lamentável do original e incompreensível para a maioria dos leitores: «thinking outside the box». A história da expressão, que não é nossa nem dela carecemos, está aqui. Qualquer leitor, imagino, encontrará uma forma melhor de dizer o mesmo.

 

 

[Texto 629] 

Helder Guégués às 14:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Nov 11

Ortografia: «reses»

Ora vejam melhor

 

 

      «“Numa época em que campeava o anti-semitismo pela Europa e em que se preparava o encaminhamento de milhões de seres humanos como rezes a caminho do matadouro, em Portugal um oficial do Exército, Arthur Carlos Barros Basto, foi sancionado por ser judeu e ser praticante da religião judaica”, justifica o requerimento» («Caso Dreyfus português vai ser discutido no Parlamento», Público, 1.11.2011, p. 6).

      Não se sabe é se se lê mesmo assim no requerimento para reabilitação póstuma apresentado à Assembleia da República (assinado pelo advogado Rui da Silva Leal) pela neta do oficial ou se é erro de transcrição do Público. Este é erro muito comum, dado mesmo por quem julga que conhece bem a língua. Tão comum como «revezes» por «reveses». E quanto a reses: «Nomes há na língua actual que apresentam reduplicação do plural, tais são eiroses, pioses, ichoses, reses; provém ela da falsa analogia com os plurais regulares nozes, vozes, etc. E de se considerar como fazendo parte do singular o -z- que entra nos diminuitivos [sic] de tais nomes; por igual motivo o povo diz moses, avoses, poses, filhoses, ilhoses, e até mãses; daqueles plurais duplos tiraram-se os falsos singulares eirós, piós. É escusado lembrar que a antiga língua só conhecia o singular eiró ou iró, e peió ou pió ou, como então se escrevia, eiroo ou iroo e peioo ou pioo» (Gramática Histórica Portuguesa, J. J. Nunes. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1919, p. 229).

 

 

[Texto 628] 

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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