07
Nov 11

Como se escreve nos jornais

Respigado do Público de hoje

 

 

      «Quando Passos Coelho anunciou que a Cultura seria tutelada por si próprio, primeiro-ministro, delegando competências governativas a uma secretaria de Estado, argumentou com a transversalidade dos assuntos da cultura, alegou mecanismos acrescidos de eficácia e poupança de custos para benefício da Cultura, fazendo crer que uma secretaria de Estado, em vez de ministério, seria uma forma de favorecer a acção do Estado neste domínio e obter vantagens que um ministério autónomo não poderia oferecer» («Foi você que pediu uma Secretaria de Estado da Cultura?», Gabriela Canavilhas, Público, 7.11.2011, p. 31).

      E na capa da «P2»: «Cardeal Tettamanzi pede aos cristãos para que sujem as mãos».

 

 

[Texto 643] 

Helder Guégués às 17:36 | comentar | ver comentários (13) | favorito
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Léxico: «moiral»

Ou maioral

 

 

      Cavaco evocou «figura lendária» (!), refere a imprensa. «Para esse moiral, que conduzia ao longo dos séculos os seus rebanhos para as terras altas, não havia fim-de-semana, não havia férias, não havia feriados, não havia tão-pouco pontes em nenhumas circunstâncias», disse o Presidente da República. O moiral das ovelhas, o moiral dos porcos, o moiral das mulas... Talvez por ser regionalismo, nem todos os dicionários o registam.

      «Quem vinha à frente das ovelhas era o pai do Albano, desse que aí anda agora a coxear co’o rèmático. Era o moiral do rebanho» (Crónicas da Serra, Irene Lisboa. Lisboa: Bertrand Editora, 1960, p. 74).

 

 

[Texto 642] 

Helder Guégués às 09:17 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Faixa piritosa

Menos respeitinho

 

 

      O Governo prepara-se para lançar no mercado internacional três concessões para prospecção de minério na Faixa Piritosa, localizada na região Sul de Portugal, onde se concentram os mais importantes jazigos nacionais de minério de cobre, zinco, chumbo, mas também de ouro e prata. Este concurso, a lançar muito brevemente pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), é uma iniciativa inédita no país e é um exemplo da atitude proactiva do Governo face ao relançamento da exploração mineira em Portugal» («Portugal agarra-se à sua riqueza mineira e procura mais investidores», Luís Francisco e Rosa Soares, Público, 6.11.2011, p. 8).

      Vão lá ler, por exemplo, os boletins da Sociedade Geológica de Portugal: nada de letra grelada.

 

[Texto 641] 

Helder Guégués às 08:42 | comentar | favorito
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07
Nov 11

Milhões e biliões

1 000 000 000

 

 

      Disse-se na RTP, e escreveu-se em várias publicações, que o antigo presidente líbio Muammar Kadhafi tinha vários investimentos imobiliários de luxo no Reino Unido no valor de mais de — ora vejam — 1,1 milhões de euros. E citava-se o Sunday Times, em que se lê «Gadaffi’s £1bn properties». Os números... Esse valor, 1,1 milhões de euros, era o que os rebeldes davam (e deram?) pela cabeça de Kadhafi. A imprensa espanhola, por sua vez, noticiava que Kadhafi «tenía un imperio inmobiliario por valor de 1.000 millones de libras (unos 1.160 millones de euros)» (El Mundo).

 

 

[Texto 640]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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