10
Nov 11

Invencionice

Outro mestre da escrita criativa

 

 

      O primeiro-ministro lá alcançou a imortalidade com a criação de um termo: «malabarice»: «Nós não fazemos malabarices com as cativações [verba que no início do ano fica retida em cada ministério para ser usada apenas se for necessário].» Francisco Louçã sugere que «o conceito é certamente filho de malabarismo e de aldrabice».

 

 

[Texto 667] 

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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O poder das palavras

Só na América (o post da Besta)

 

 

      «O co-responsável pelos Óscares de 2012 demitiu-se depois de, numa conferência de imprensa, ter usado o termo fags, que pode ser traduzido como “maricas”. Em carta aberta explicou: “Por muito doloroso que isto seja para mim, seria ainda pior se a minha associação ao espectáculo impedisse que as pessoas prestassem atenção à Academia e aos altos ideais que defende”. O termo surgiu quando, questionado sobre os seus métodos de trabalho, respondeu: “Ensaiar é para maricas”» («Bret Rattner disse “maricas” e demitiu-se», «P2»/Público, 10.11.2011, p. 15).

 

[Texto 666] 

Helder Guégués às 22:40 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Isto nunca mais acaba

 

 

      «Como se põe um americano a pronunciar Aníbal Cavaco Silva? “Ah-nee-bal Ca-va-coo Seel-vuh”, escrevia ontem a agência Associated Press, uma onomatopeia para iniciados anglo-saxónicos» («Cavaco promete que Portugal cumprirá programa financeiro», Kathleen Gomes, Público, 10.11.2011, p. 8).

      Mas qual onomatopeia, valha-a Deus, Kathleen Gomes? Por quem é, reveja-me o conceito de onomatopeia.

 

[Texto 665] 

Helder Guégués às 22:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Pontuação

Ao menos diz que é precisa

 

 

      «E a passagem da monarquia para a república não melhorou a vida da população, que se sentiu defraudada.» Lembram-se da frase? Estou a ver (agradeço ao leitor A. S. por me ter chamado a atenção) que foi agora lançada para o mundo. Nas respostas publicadas hoje no Ciberdúvidas, está: «Na frase apresentada pela consulente, a virgula [sic] é necessária para separar a frase principal (oração subordinante) da frase secundária (oração subordinada consecutiva), de modo a clarificar o sentido enunciado.

      No caso em questão, a conjunção que é usada com um sentido idêntico a “de forma que” ou “de modo que”, introduzindo a oração consecutiva. Se não colocarmos a vírgula, ficamos com uma estrutura semelhante à das orações subordinadas relativas restritivas e poderemos ser levados a interpretar “que se sentiu defraudada” como acrescentando informação apenas sobre o antecedente, ou seja, que “a população que já se sentia defraudada (por razões anteriores não especificadas) não viu a sua vida ser melhorada pela passagem da monarquia para a república”. No caso de usarmos a vírgula, a interpretação é que “a população sentiu-se defraudada porque a passagem da monarquia para a república não melhorou a sua vida», o que parece ser o sentido pretendido pela consulente.» Consecutiva, diz o consultor, Miguel Moiteiro Marques.

 

 

[Texto 664] 

Helder Guégués às 13:29 | comentar | ver comentários (23) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Quase Dupond e Dupont

 

 

      No Público de hoje também se noticia o caso em que está envolvido o genro do rei de Espanha. O jornalista, A. G. F., contudo, patina um pouco: as provas tornam inevitável «que Urdangarin se torne arguido no processo». Mais: «tornou-se “inevitável” que o duque de Palma se torne réu no julgamento do caso». Arguido, réu... Enfim, qualquer coisa por aí.

 

[Texto 663] 

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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Língua e política

O peso da língua

 

 

      Carlos Magno, o novo presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), afirmou que o regulador quer fazer da língua portuguesa um tema obrigatório do seu trabalho. E citou o estudo do ISCTE que aponta que a língua tem um peso de 17,5 % do PIB. Só retórica? Depois falamos.

 

[Texto 662]

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se fala na televisão

Realmente

 

 

      O duque de Palma, Iñaki Urdangarín, ouvi ontem no Telejornal, «poderá ser acusado realmente de falsidade documental». Um juiz mandou mesmo «apreender abundante documentação» na sede do Instituto Nóos, do qual o duque é presidente. O juiz está agora a ponderar se «convoca o genro do rei a prestar declarações».

 

[Texto 661]

Helder Guégués às 08:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Nov 11

Verbo «haver»

Ai o coração

 

 

      Aconteceu, Montexto, aconteceu: «Se houver restrições à autonomia que estão no Orçamento de Estado e houver em 2013 cortes equivalentes àqueles que hão para 2012, a maior parte do sistema de ensino superior português fecha.» Quem falou assim? O magnífico reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva. Magnífico.

 

 

[Texto 660] 

Helder Guégués às 07:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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