03
Dez 11

Você e tu

Você aí

 

 

      «É que, de facto, a língua portuguesa não necessita desta forma, mas talvez pior ainda do que a utilização abusiva da forma VOCÊ e o engano em que muitas pessoas são induzidas seja a utilização da forma VOCÊS. É que, contrariamente ao que poderíamos ser levados a pensar, a utilização de VOCÊS não é um mero plural de VOCÊ; VOCÊS corresponde simplesmente ao plural de TU. Quero com isto dizer que só poderei recorrer a VOCÊS sempre que a correspondente singular fosse TU, e não VOCÊ» (Discursar em Português... e não só, Isabel Casanova. Lisboa: Plátano Editora, 2011, p. 82).

      É assim — ou, pelo menos, é-o sempre em relação àquelas camadas «cultas ou semicultas» (como escreve a autora) —, mas já o tenho ouvido, muito raramente, é certo, como plural de «você» (como é sempre no Brasil).

 

[Texto 760]

Helder Guégués às 16:04 | comentar | ver comentários (15) | favorito
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Uso da maiúscula

Pedra-de-toque

 

 

      «Encaixaria perfeitamente se quiséssemos falar português. Seguir os Brasileiros», comenta aqui Montexto a propósito de «padrão-ouro» não traduzir — como alguns querem e os dicionários concordam, pelo menos por omissão — o inglês gold standard na acepção secundária de exemplo supremo de alguma coisa em relação ao qual outras são julgadas ou aferidas. É precisamente isso que está em causa. Entretanto, lembrei-me também do vocábulo «pedra-de-toque», que talvez servisse — se quisséssemos — para traduzir essa acepção.

      Lembrei-me também agora, ao ler o comentário, que na obra Discursar em Português... e não só, já aqui referida, em que a autora, que, como também já vimos, usa a nova ortografia, escreveu um gentílico com maiúscula inicial. Lapso ou convicção? «Até Hitler, no seu discurso contra os Checos a 26 de setembro de 1938, diz que o povo alemão nada mais quer do que a liberdade» (Discursar em Português... e não só, Isabel Casanova. Lisboa: Plátano Editora, 2011, p. 108).

 

[Texto 759]

 

Helder Guégués às 14:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «frenação»

Frenação, frenador...

 

 

      «“Os mais jovens, diria que até aos 25 anos, são mais sugestionáveis e hoje sabemos que o lobo frontal só fica formado após aquela idade. Ora, o lobo frontal tem uma função muito importante que é a frenação de todos os impulsos humanos — funciona como um travão frenador que permite determinar as consequências de cada acto e discriminar melhor o bem do mal. Até esta idade, as pessoas não têm o lobo frontal completamente desenvolvido e isso ajuda a explicar alguns dos excessos em que os jovens se envolvem em busca dos seus 15 minutos de fama”, conclui [o psiquiatra Afonso Albuquerque]» («“O mais provável é que filho seja também psicopata”», Natália Faria, Público, 3.12.2011, p. 10).

      Neste caso, é o sentido figurado que foi empregado: moderação, contenção.

 

[Texto 758] 

Helder Guégués às 08:36 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Enviesamento/viés»

Pouco difere

 

 

      «Os médicos não sabiam que os doentes tinham sido tratados, eliminando assim o viés de julgar favoravelmente os resultados das terapêuticas aplicadas.»

      Já vimos esta questão, com a diferença de que não era o termo «viés», mas «enviesamento». Concluímos então que o termo «distorção» seria a melhor forma de exprimir, num texto não científico, o conceito. «Viés» até me parece mais impenetrável.

 

[Texto 757]

Helder Guégués às 01:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «nado-vivo»

Nada mudou

 

 

      Já o escrevi uma vez, mas repito: o que explica que nem todos os dicionários registem nado-vivo — se todos registam nado-morto? Há-de ser a explicação para, ao lado de nado-morto, sobretudo em estudos estatísticos, aparecer nado vivo.

 

[Texto 756]

Helder Guégués às 01:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Contracções

E quando é necessário, nada

 

 

      «O advogado não pode esquecê-lo, e a sociedade não deixará de lhe o lembrar», escreveu o autor. Descontrair, como diz a «nossa especialista em língua portuguesa», para quê?

 

[Texto 755]

Helder Guégués às 01:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Dez 11

Léxico: «recuperador»

Boa noite, Zé

 

 

      «Os pescadores foram salvos pelos recuperadores-salvadores da Marinha. Esses militares descansam na Base Aérea do Montijo, onde se encontra a Sandra Claudino» (José Rodrigues dos Santos, Telejornal, 2.12.2011). A repórter entrevistou o comandante do helicóptero usado no salvamento e o recuperador. Antes, porém, disse: «Boa noite, Zé. Estamos no hangar da Base Militar aqui do Montijo, como disseste.» «Recuperador», de que já nos ocupámos aqui, continua, nesta acepção, ausente dos dicionários. Quanto a «hangar», foi alvo de uma silabada da repórter, que a pronunciou como se se tratasse de uma palavra grave, quando é aguda ou oxítona. É grave, porque é cacoépia. Cara Sandra Claudino, lembre-se, já não digo da palavra «Gibraltar», porque também é habitualmente mal pronunciada, mas de «altar».

 

[Texto 754] 

Helder Guégués às 00:20 | comentar | favorito
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