07
Dez 11

«Onde/aonde/donde»

Vou para casa

 

 

      «A este propósito, a Isabel Amaral contou que o Manoel de Oliveira, intrigado perante tão inusitado êxito [do filme Vou para Casa], perguntou ao Paulo Branco: “Aonde é que a gente errou?!”» (Diário de Paris – 2001-2003, Marcello Duarte Mathias. Lisboa: Oceanos, 2007, 2.ª ed., p. 111).

      Manoel (obriguem-no lá a escrever o nome com u, vá lá) de Oliveira fala assim tão mal? Não acredito. Acho que, se leu o livro, ficou outra vez intrigado.

 

[Texto 782]

Helder Guégués às 15:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Revisão

Burberry — Iconic British Luxury Brand Est. 1856

 

 

      «Velhos e velhas encasacados nos seus loddens, cor verde-escura, envoltos nos cachecóis axadrezados da Burberrys. Friorentos, estão com mais frio do que o frio que está. Burguesia de cabelos brancos, neta e bisneta de burgueses, anestesiada por décadas de bem-estar» (Diário de Paris – 2001-2003, Marcello Duarte Mathias. Lisboa: Oceanos, 2007, 2.ª ed., p. 24).

      É loden que se escreve, como já aqui vimos a propósito daquele que Freitas do Amaral usava. E, como o título mostra, é Burberry que se escreve. Um entre muitos erros e gralhas nesta quase de certeza falsa 2.ª edição. Fica para a próxima tiragem, ou, se com todos ou quase todos os erros e gralhas corrigidos, quem sabe se 3.ª edição.

 

[Texto 781]

Helder Guégués às 13:35 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Sobre formas de tratamento

Você é que sabe

 

 

      «Paralelamente, sobre o complicado que são as relações humanas em Portugal, em especial o tratamento entre pessoas, [Antonio Tabucchi] diz-me que somos considerados nesta matéria, depois do Japão, o país cujas regras são as mais difíceis de apreender. Recomenda-me a este propósito o pequeno estudo do Lindley Cintra: Sobre “Formas de Tratamento” na Língua Portuguesa.

      De facto, como explicar a um estrangeiro que se deve tratar o interlocutor que se tem pela frente na terceira pessoa do singular e pelo nome próprio, como se estivéssemos a evocar um ausente! (A solução seria talvez generalizar o emprego do “você” brasileiro, embora suscite anticorpos em muita gente.)» (Diário de Paris – 2001-2003, Marcello Duarte Mathias. Lisboa: Oceanos, 2007, 2.ª ed., p. 260).

      Tão difíceis de apreender, na verdade, que até alguns professores universitários têm dificuldade.

 

[Texto 780]

Helder Guégués às 12:44 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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Como se fala na televisão

Compara tu

 

 

      Diminuíram os levantamentos por multibanco, disse o jornalista António Esteves ontem na 1.ª edição do Telejornal: «O período em análise é a semana de 28 de Novembro a 4 de Dezembro de 2011 e compara com o mesmo período do ano passado.» Já tínhamos visto este modismo, ou má tradução, ou lá o que é, aqui.

 

 

[Texto 779]

Helder Guégués às 09:32 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Ortografia: «brócolos»

Não tenho preferências

 

 

      «Anteontem a Maria João e eu fomos almoçar à praia. Comemos cantaris e bróculos. O dia e o mar estavam feios mas não poderiam ser mais bonitos. A minha paisagem favorita foi olhar para ela» («Voltou», Miguel Esteves Cardoso, Público, 7.12.2011, p. 33).

      Também a professora Teresa Álvares, do Ciberdúvidas, preferia que fosse «bróculos», com uma argumentação que não colhe: «Ora, pensando bem, o meu erro que era também o de J. C. B., apontado oportunamente por uma consulente do Ciberdúvidas, nem é assim tão disparatado: se em Italiano «broccolo» deriva de «brocco», a que se acrescentou o sufixo diminutivo -olo(a), e em Português o sufixo correspondente é -ulo(a) (montículo, espátula), porque é que um «pequeno dente saliente» dum certo tipo de couve não se há-de poder chamar bróculo?» A seguir-se este raciocínio, muito estaria errado na língua.

 

[Texto 778] 

Helder Guégués às 09:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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07
Dez 11

Aportuguesamento

Rocha e o tablete

 

 

      «Ontem, José Rocha (PTP), fazendo “concorrência” à RTP-M, que transmitiu em directo o discurso de Jardim, tentou gravar as intervenções com um tablete, mas Mendonça ameaçou expulsá-lo do hemiciclo. A sessão foi temporariamente suspensa, depois prosseguiu com José Manuel Coelho a gravar» («Sem transmissão. Parlamento offline há três anos», Público, 7.12.2011, p. 11).

      O texto não está assinado, mas há-de ser da autoria de Tolentino de Nóbrega, que assina o texto principal. Este não passou no famoso crivo que têm lá no Público para os estrangeirismos. Já tínhamos a tablete, que veio do francês, agora passámos a ter o tablete, que vem do inglês.

 

 

[Texto 777]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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