12
Dez 11

Ortografia: «séter»

Pêlo longo, sedoso e ondulado

 

 

      «Aconteceu que me deram um séter, demasiado mimoso para caçar em montes durienses. É bom para as narcejas, em terras lagunares. Mas, que fino bicho era o meu séter! Fidalgo de patas e de carnes, mas, com um nariz sublime» («Porque deixei de caçar», João de Araújo Correia, in Páginas de Caça na Literatura de Trás-os-Montes. Selecção de textos e organização de A. M. Pires Cabral. Lisboa: Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e Âncora Editora, 2009, p. 38).

      Ora que boa ideia. Nenhum dicionário acolheu este aportuguesamento. Vejo-o apenas na infalível Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. João de Araújo Correia, caçador, achou-o melhor do que setter. Na literatura é mais encontradiço. Em Aquilino, por exemplo, como seria de esperar, encontramo-lo: «Ah, mas o Barzabu, o meu cão atravessado de séter e de rafeiro, cão plebeu, fino mas sem prosápias, tinha-se colocado à minha beira e não dava indícios de arredar» (Uma Luz ao Longe, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1969, p. 21).

 

[Texto 813]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Género: «personagem»

Além do bem e do mal

 

 

      «Escritores inventarem pessoas é trivial. Sucede em milhares de livros e algumas dessas pessoas inventadas passaram a habitar as nossas memórias como se existissem. Mas o contrário também é possível: pessoas que se tornaram escritores e inventarem escritores e a fazer deles personagens enigmáticas dos seus livros [...]. O segundo exemplo, noutro romance, está em Sei onde Mora o Herberto Helder (ed. Alêtheia), onde Manuel (Augusto) Monteiro inventa um personagem solitário chamado Silvério, recém-reformado, que partilha a casa com apenas duas criaturas, um gato e um canário, Osborne e Camané» («Schidinski & Herberto», Nuno Pacheco, «P2»/Público, 12.12.2011, p. 3).

 

[Texto 812] 

Helder Guégués às 08:47 | comentar | ver comentários (29) | favorito
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Citações depois do AOLP90

Excesso de zelo

 

 

      Eis uma questão que já tratei aqui. Uma professora perguntou ao Ciberdúvidas «se as citações devem respeitar o original, ou se se podem transformar para o novo acordo». A resposta parece óbvia — mas garanto que o não é para toda a gente e já há por aí grandes trapalhadas. Respondeu a consultora Eunice Marta: «Se colocar as citações entre aspas e indicar a respetiva referência bibliográfica — o que significa que fez a transcrição de um texto que foi editado num determinado ano (anterior ao da aplicação do Acordo Ortográfico 90) —, dever-se-á fazer a transcrição tal como se encontra registada na fonte, assinalando (com asterico [sic] e/ou em nota de rodapé) que foi respeitada a grafia original.» Só me parece desnecessária — por óbvia — a indicação de que foi — não o tem de ser sempre? — de que foi respeitada a grafia original.

 

[Texto 811]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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12
Dez 11

«Idade Medieval»

Idade Média

 

      É raríssimo ver Idade Medieval em vez de Idade Média, mas está igualmente correcto: «Foram encontrados há duas semanas vestígios humanos, presumivelmente da Idade Medieval, junto à antiga povoação de Cilhades, em Felgar, concelho de Torre de Moncorvo» («Encontradas ossadas medievais em local a afundar pela barragem do Sabor», António Gonçalves Rodrigues, Público, 12.12.2011, p. 9).

 

[Texto 810]

Helder Guégués às 08:42 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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