20
Dez 11

«Tese/dissertação»

Nem em Trás di Munti

 

 

      «O Jon Schubert, um suíço que estuda na Escócia e passou a infância em Angola, usou a bolsa para fazer um ano de trabalho de campo sobre memória e política na Angola pós-guerra civil. Vai redigir a sua tese de doutoramento no próximo ano e meio. [...] O Marcos Santos terminou a investigação e a escrita da sua tese de mestrado sobre theileriose bovina (não perguntem) que concluiu e defendeu com excelente nota. [...] A Tânia Madureira é antropóloga e foi a primeira a partir, para um trabalho de campo em Trás di Munti, na ilha cabo-verdiana de Santiago. Veio de lá carregada de imagens e gravações que entretanto transcreveu, e encontra-se a redigir a sua tese de mestrado» («Bolsas 2.0», Rui Tavares, Público, 19.12.2011, p. 32).

      Já o vimos várias vezes no Assim Mesmo: dissertação de mestrado e tese de doutoramento. Confundir tudo ou trocar as designações nunca pode redundar em nada de bom.

 

 

[Texto 863]

Helder Guégués às 10:12 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Desgravação»

E voltou a errar

 

 

      «Na entrevista com a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cuz, ontem editada como destaque do PÚBLICO, por lapso de desgravação vem erradamente referido o nome de Marcelo Curto como tendo sido um dos dois políticos condenados em Portugal por corrupção» («O Público errou», Público, 20.12.2011, p. 30).

      Já o escrevi há mais de um ano: é termo (juntamente com o verbo desgravar) da gíria jornalística que os jornalistas deviam reservar para falar entre si.

 

[Texto 862]

Helder Guégués às 09:50 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Pode parecer despropositado

 

 

      «A pergunta pode parecer despropositada, mas vem-me em boa hora. Permite-me, por exemplo, escrever uma crónica em que tenho matutado com certa frequência; uma crónica que recorde José Rodrigues Miguéis, o escritor português falecido em Nova Iorque, em 1980, com o qual a eternidade não tem sido benévola» («José Rodrigues Miguéis», Jorge Marmelo, «P2»/Público, 20.12.2011, p. 3).

      A eternidade é muito tempo, caro Jorge Marmelo. Não chegava, mais modestamente, a posteridade?

 

[Texto 861]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Excessos natalícios

 

 

      «Sem dúvida que a magia do Natal invadiu a realeza do Mónaco. Para além do magnífico banho, há dias, Alberto II e a mulher Charlene haviam convidado várias crianças para festejarem com eles as festividades natalícias» («Mónaco. Príncipe Alberto II e o banho tradicional de Natal», «P2»/Público, 20.12.2011, p. 15).

 

[Texto 860]

Helder Guégués às 09:25 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Porque», advérbio interrogativo

Sempre teremos a arteirice

 

 

      «Em Janeiro, as iranianas foram proibidas de assistir a jogos de futebol ao vivo. Mas não se preocupem, minhas senhoras: o prof. Freitas arranjará uma solução. Porque não desfiles de moda, com véu e tudo? Também por aí passou a diplomacia sino-americana. Na verdade, foi num desfile de moda jugoslava, em Varsóvia, que em 1969, com instruções de Nixon, o embaixador dos EUA abordou o encarregado de negócios chinês. Teríamos, então, o futebol para homens e, para senhoras, desfiles de moda. E por que não, professor, desfiles de moda euro-árabes? Em Paris. Poderia o professor rever amizades pretéritas. We will always have Paris, José» («Teremos sempre Paris, José», Pedro Lomba, Público, 20.12.2011, p. 32).

      Pedro Lomba ainda não se decidiu pela grafia definitiva do advérbio interrogativo. Anda a ensaiar nas crónicas.

 

[Texto 859] 

Helder Guégués às 08:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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20
Dez 11

Sobre «assunção»

É comum

 

 

      «A 17 de Dezembro, Lisboa avisa todas as suas missões diplomáticas que está iminente um ataque. “O Governo confia que todos saberão cumprir o seu dever.” Salazar enganava-se na assunção de que a luta seria até à última gota de sangue» («O dia em que a paciência da Índia chegou ao fim», Francisca Gorjão Henriques, Público, 18.12.2011, p. 6).

      Assunção é, nas palavras de Agenor Soares dos Santos, no Guia Prático de Tradução Inglesa (São Paulo: Editora Cultrix, 1983), «candidato a anglicismo nas acepções supor, pressupor, presumir; admitir, aceitar como hipótese, ter por certo ou por assentado». Assunção, para mim, tirando a das dívidas e a de Nossa Senhora, só a Cristas e a Esteves. (E pensar que o AOLP90 repristinou a grafia «assumpção» ainda nos deixa mais intranquilos.)

 

[Texto 858]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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