05
Jan 12

«A meu saber»

– Mia senhor, a meu saber...

 

 

      «– Durante as férias, decidi inventar um feitiço que, a meu saber, jamais terá sido experimentado. É um feitiço para pôr os animais a falar. Para tal, tive de reunir vários componentes do feitiço, incluindo ladainhas, ervas, etc., e, para tornar a minha tarefa mais fácil, decidi concentrar-me em animais que coubessem num espaço de vinte e cinco centímetros quadrados ou menos» (A Bruxinha Desastrada Entra em Acção, Jill Murphy. Tradução de Maria Clarisse Silva. Porto: Asadelta, 2010, pp. 72-73).

      A meu saber. É expressão que vem directamente do trovador medieval Airas Moniz de Asma para a tradução de um livro juvenil. Impressionante.

 

[Texto 911]

 

Helder Guégués às 13:02 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Revisão, precisava-se

Há limites — ou havia

 

 

      «– Mas sabemos que não és mentirosa –, acrescentou a Mónica mal viu os olhos da Matilde a encherem-sedelágrimas» (A Bruxinha Desastrada Entra em Acção, Jill Murphy. Tradução de Maria Clarisse Silva. Porto: Asadelta, 2010, p. 82).

      A obra tem vários descuidos destes, que demonstram claramente que não foi lida uma última vez antes de ser enviada para a gráfica. Mas há sempre, felizmente, quem ache tudo bem e não se importe, não é assim? Passemos, pois, sursum corda, a outras questões.

  1. «– Matilde Estouvada –, disse, com tranquilidade e frieza. – Porque será que não estou nada surpreendida?» (idem, ibidem,  p. 54);
  2. «– Por que não passamos um final de tarde tranquilo e nos deitamos mais cedo? – sugeriu a Elsa. – Podemos voltar a conversar de manhã» (idem, ibidem,  p. 83);
  3. «Por que carga d’água roubaria um feitiço à Matilde Estouvada?» (idem, ibidem, p. 152);
  4. «– Uma tartaruga! – exclamou a Mónica. – Porque raio trouxeste uma tartaruga para a escola?» (idem, ibidem,  p. 63).

[Texto 910] 

Helder Guégués às 11:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Parecida com a nossa língua

 

 

      «Os planos de Rosie O’Donnell para a passagem de ano saíram furados. A apresentadora de televisão foi convidada para a festa de Sean “Diddy” Comb, mas acabou por ser barrada à entrada da discoteca, em Miami, EUA, onde apareceu com um figurino casual e uma comitiva de seis pessoas. O’Donnell tinha sido convidada pelo próprio produtor, mas os seguranças foram implacáveis e não a deixaram entrar. O porta-voz de Diddy garante que o produtor se sente “terrivelmente” com o sucedido» («Rose O’Donnell barrada em discoteca», «P2»/Público, 5.1.2012, p. 15).

      Isto é que é traduzir! «We’re told he feels “terrible” about it.»

 

[Texto 909]

Helder Guégués às 08:59 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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05
Jan 12

Género: «dengue»

Não, não

 

 

      «De acordo com um relatório divulgado pelo Ministério da Saúde do Brasil, só no primeiro semestre de 2011 morreram 310 pessoas no país devido ao dengue» («Dengue deixa brasileiro Ronaldo a soro», Público, 5.01.2012, p. 26).

      Dengue é do género feminino, vejam aí na página 319 do Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves.

 

[Texto 908]

Helder Guégués às 08:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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