06
Jan 12

Porque, advérbio interrogativo

Só para lembrar

 

 

      Tem razão, caro leitor: ando a citar muito o Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves. Fá-lo-ei ainda mais nos próximos tempos. Só um lembrete: esta obra regista, na coluna da direita da página 812, o advérbio interrogativo «porque». «Porque não responde?; Diga porque não responde; Eis porque não respondo.»

 

[Texto 919]

Helder Guégués às 08:23 | comentar | ver comentários (22) | favorito
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O dalai-lama

Como se fosse um nome próprio

 

 

      Não aprendem de maneira nenhuma: «O budista mais famoso de Hollywood, Richard Gere, resolveu entrar em 2012 cheio de espiritualidade. O actor norte-americano, de 62 anos, foi até à Índia para estar com Dalai Lama no Festival Budista Kalachakra, que está a decorrer na cidade de Bodh Gaya – onde se acredita que Buda alcançou a iluminação. Anteontem, Gere assistiu à palestra do líder espiritual tibetano e, no final da cerimónia, foi cumprimentá-lo. O festival começou a 1 de Janeiro e termina na próxima terça-feira» («Richard Gere na Índia com Dalai Lama», «P2»/Público, 6.01.2012, p. 19).

 

[Texto 918]

Helder Guégués às 08:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os médicos

Oh, Sr. Doutor...

 

 

      Celso Cruzeiro, director do Serviço de Cirurgia Plástica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC): «Eu já vi nos media a passar “implantes cancerígenos”. Ora isto é uma notícia completamente falsa e completamente fora do contexto. Não faz sentido sob o ponto de vista científico. O que nós sabemos é que há mais rupturas, e havendo mais rupturas dum gel que não é próprio, provoca mais inflamação, pode provocar mais dores, pode provocar mau-estar, e portanto isso justifica uma intervenção.»

 

[Texto 917]

Helder Guégués às 07:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os políticos

Indícios

 

 

      Luís Marques Guedes, secretário de Estado da Presidência, ontem: «Esse assunto não foi hoje fechado no Conselho de Ministros e aguardará por mais uma ronda negocial na Concertação Social, que esperamos tenha bons resultados. De resto, há de facto indícios de que podem haver avanços.»

 

[Texto 916]

Helder Guégués às 07:03 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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A língua e as normas ortográficas

Incontáveis as razões de reparo

 

 

      O escritor e filólogo José Soares escreve hoje no Público sobre o Acordo Ortográfico de 1990. Termina assim o seu texto: «Neste Acordo Ortográfico, dito de 1990, aparecem normas e directivas que, por uma certa racionalidade conservadora, contesto. A razia que faz às letras que se não dizem ou lêem e o concomitante apagamento de alguns diacríticos produzem em mim um certo desconforto. É o caso de vocábulos até aqui terminados em -ecto, como directo, recto, tecto, etc., que agora se escrevem direto, reto, teto, etc. Ora, não conhecendo eu as novas regras ortográficas (e mesmo conhecendo-as), posso muito bem (ou muito mal) ler e dizer dirêto, rêto, têto, etc., que é assim que, predominantemente, se lêem ou dizem as palavras em -eto, como folheto, amuleto, esqueleto, etc. É que não foi revogado, nem por fundamentação pertinente da Academia nem muito menos pelo costume, a regra implícita tradicional e etimologicamente correcta do valor fonético daquela consoante c, que faz(ia) abrir a vogal precedente. Mas penso que são incontáveis as razões de reparo que o Acordo oferece. Ou será que passa a ser indiferente qualquer modo de acentuar a tónica como muito bem nos apetecer? Não poderá esta língua aceitar como necessário um paradigma fonético, confirmado na escrita, sem constrangimento dos falares regionais e transnacionais? Penso que sim» («Situações incómodas em português», Público, 6.01.2012, p. 33).

 

[Texto 915] 

Helder Guégués às 06:52 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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Léxico: «Kopimism»

Religião oficial?

 

 

      «“Agradecemos-te, Senhor, por este ficheiro que vamos sacar.” A partir de agora, todos os que crêem na cópia e na partilha livre de músicas, filmes ou qualquer outro tipo de ficheiro digital, podem comungar na Igreja do Kopimism, uma congregação oficialmente reconhecida como religião pelas autoridades da Suécia.

      O termo “kopimism” (de “kopimi” – lê-se copy me) é de difícil tradução para o português, mas o principal mandamento desta nova igreja é fácil de compreender pelos falantes de qualquer língua: copiarás e partilharás livremente todos os ficheiros que te aparecerem pela frente» («Partilha de ficheiros já é uma religião na Suécia», Alexandre Martins, Público, 6.01.2012, p. 18).

 

[Texto 914]

Helder Guégués às 06:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Está isto lindo, está

 

 

      «Apesar de a administração se ter recusado a fornecer mais detalhes, o PÚBLICO sabe que foram retirados da enfermaria de homens do Serviço de Neurocirurgia cerca de 30 doentes. O incêndio deflagrou ao início da noite na casa de banho em que os pacientes costumam tomar banho e consumiu uma cadeira e uma cortina, ambas em plástico. Há suspeitas de que o fogo tenha sido causado por uma beata, mas também há quem duvide de que uma ponta de cigarro fosse suficiente para pegar fogo cadeira» («Fogo em S. José obriga a evacuar neurocirurgia», I. B., Público, 6.01.2012, p. 21).

 

[Texto 913]

Helder Guégués às 06:50 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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06
Jan 12

Sobre «quimera»

Uma quimera

 

 

      «Um embrião desenvolve-se a partir de uma célula que é a fusão de um óvulo com um espermatozóide, o que resulta num genoma único e num animal original. Neste estudo, os cientistas conseguiram juntar seis embriões de macacos-rhesus, cada um apenas com quatro células, que se misturaram. O resultado foi o desenvolvimento de um macaco saudável, com células que, por serem de diferentes embriões, têm ADN diferente. Ou seja, o animal é uma quimera» («Cientistas conseguem pela primeira vez produzir quimeras de primatas», Nicolau Ferreira, Público, 6.01.2012, p. 18).

      É acepção que ainda não chegou aos dicionários. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista algo próximo, mas referido: «organismo vegetal, misto, constituído por tecidos diferentes». Quanto a macacos-rhesus, não vejo a necessidade dessa «quimera», dessa entidade híbrida, pois rhesus está há muito aportuguesado em reso. (Vejam aí na página 879 do Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves.) Logo, macacos-resos.

 

[Texto 912]

Helder Guégués às 06:48 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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