10
Jan 12

Plural dos apelidos

Deixem-me adivinhar...

 

 

      «O livro The Obamas, da jornalista Jodi Kantor, correspondente do New York Times, contém algumas revelações que estão a criar polémica nos Estados Unidos. A mais incómoda para o actual Presidente é a notícia de que, no ano terrível de 2009, quando o desemprego atingira os dez por cento, Obama patrocinou uma dispendiosa festa de Halloween na Casa Branca, que implicou encenar, em duas salas, o mundo de Alice no País das Maravilhas, trabalho dirigido pelo realizador Tim Burton, cuja versão da história de Lewis Carroll chegaria aos cinemas no ano seguinte» («Halloween. Festa dispendiosa em 2009 compromete», «P2»/Público, 10.01.2012, p. 15).

      Já sei: quando a tradução for publicada em Portugal, terá como título Os Obama. Até parece que é a troika a impor às editoras este corte nas letras...

 

[Texto 936]

Helder Guégués às 09:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Que espécie de acordo

Outro abuso, e muito maior

 

 

      «Por muitas voltas que se dê ao idioma, um autocarro dos nossos há-de sempre ser um ônibus no Brasil. Uma orgia é uma suruba. E por aí adiante. O acordo não uniformiza coisa nenhuma. É tempo perdido e inútil, treta e papo-furado. Quando muito, transforma as galantes erecções do “senhor Pipi” nas simplificadas ereções do Zeca. Lindo serviço» («Dar à língua», Jorge Marmelo, «P2»/Público, 10.01.2012, p. 3).

      Tudo verdade — mas até os mais ferozes e insensatos antiacordistas não podem deixar de reconhecer que é pura desconversa. Não se trata, afinal, caro Jorge Marmelo, de um acordo ortográfico? Então, como raio queria que uniformizasse o léxico? Há formas menos ínvias de se conseguir o aplauso dos leitores.

 

 

[Texto 935]

Helder Guégués às 09:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «guideline»

Abuso

 

 

      Ora digam lá se isto não é a abdicação total: «O organismo presidido por Jorge Simões concluiu que 119 estabelecimentos cumprem os critérios de qualidade e segurança exigidos na legislação aplicável, em guidelines internacionais e em boas práticas recomendadas por um painel de peritos nacionais de reconhecido mérito» («ERS manda fechar seis blocos oftalmológicos», João d’Espiney, Público, 10.01.2012, p. 11).

      Para quê em inglês? Está aqui ao lado, no «Dicionário de Palavras Difíceis de Traduzir»: directriz, guia, orientação.

 

[Texto 934]

Helder Guégués às 08:10 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «explantação»

PIP

 

 

      «“O Serviço Nacional de Saúde, como para qualquer outra situação de relevância clínica que careça da prestação de cuidados, assegura a protecção da saúde através do acompanhamento e tratamento adequado, incluindo a explantação [remoção] de todas as mulheres que tenham complicações resultantes da colocação de implantes mamários, nomeadamente quando houver evidência de ruptura ou de inflamação (...), ou por outra razão resultante da avaliação clínica (...)”, lê-se no comunicado conjunto da DGS/Infarmed colocado ontem na página da Direcção-Geral de Saúde, que estima em 5% o risco de ruptura dos implantes mamários PIP» («SNS financia remoção de implantes mamários mas não suporta colocação de novas próteses», Margarida Gomes, Público, 10.01.2012, p. 11).

      O mais próximo a que alguns dicionários chegam é «explanação», mas o Dicionário Houaiss, como sucede em relação a tantos vocábulos, regista-o. Contudo, o conceito parece não coincidir: «cultura de órgão ou tecido fora do organismo, de modo que suas células possam sobreviver e reproduzir-se».

 

[Texto 933]

Helder Guégués às 07:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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10
Jan 12

Tudo em inglês

Ou não se perceberá

 

 

      «A polícia de Atenas anunciou ontem que duas obras de arte, um quadro de Pablo Picasso e outro de Piet Mondrian, foram roubadas da National Art Gallery, uma das maiores galerias de arte da Grécia» («Roubadas duas obras de Picasso e Mondrian», Público, 10.01.2012, p. 17).

      Está-se mesmo a ver: o nome é National Art Gallery. E mais: «Segundo a agência AMNA [Athens-Macedonian News Agency], a obra de Picasso trata-se de um quadro que o mestre do cubismo pintou em 1939, “Cabeça de Mulher”, e foi uma oferta de uma associação francesa ao museu grego em 1940, com uma dedicação “em homenagem ao povo grego”, pela sua resistência à ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial.»

 

[Texto 932]

Helder Guégués às 07:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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