11
Jan 12

Sobre «thriller»

Estremecedor

 

 

      Francisco Rebelo Gonçalves, na página 182 do Vocabulário da Língua Portuguesa, regista: «brídege, s. m. Aportg. do ingl. bridge.» O pior é nos casos em que não há aportuguesamento nem palavra portuguesa correspondente. É o caso de thriller. Ainda hoje me perguntaram como verter o vocábulo. «Tenho de traduzir, ou não, thriller (referido a livros).» Só lhe ocorria suspense — e quem é que traduz um termo estrangeiro com outro termo estrangeiro? — e «mistério», que não o entusiasmava. «Alguma sugestão?», perguntava.

 

[Texto 943] 

Helder Guégués às 23:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Sobre «banto»

Não sejam cafres

 

 

      Já o tinha referido mais de uma vez, mas um argumento de autoridade tem mais força. Rebelo Gonçalves, na página 149 do Vocabulário da Língua Portuguesa, avisa: «banto, adj. e s. m. Inexacta a forma bantu.» «Bantos, etn. m. p. Inexacta a forma Bantus

 

[Texto 942]

Helder Guégués às 16:34 | comentar | favorito
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Sobre «banditismo»

Basta pensar

 

 

      «Na operação, conduzida pela Secção Regional de Combate ao Terrorismo e Banditismo da PJ, foram detidos 11 homens e uma mulher e apreendidas quase 60 armas e “milhares de munições de diversos tipos e calibres e ainda diversas armas brancas”», lia-se recentemente no Público. Não é caso único, bem pelo contrário. De bandido esperava-se — bandidismo, pois claro. Rebelo Gonçalves, na página 148 do Vocabulário da Língua Portuguesa: «bandidismo, s. m. Forma preferível a banditismo (ital.).»

 

[Texto 941]

Helder Guégués às 16:21 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «courtier»

Por aí

 

 

      Andava de terra em terra, nas tabernas, nas estalagens, nas quintas, a vender debulhadoras. Era, lê-se no original, courtier. «Mediador», verteu o tradutor. (E já antes, para outra personagem com a mesma profissão, traduzira por «corretor».) Intermediário não seria mais adequado? Ou mesmo, ocorre-me agora, angariador. (Quanto a «corretor». Edite Estrela, na obra Dúvidas do Falar Português, escreveu: «Das várias hipóteses surgidas, a mais credível parece-me a que remete para o latim curatorem, com influência do francês courtier.»)

 

[Texto 940]

Helder Guégués às 15:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «bazófia»

Être bouché à l’émeri 

 

 

      A moçoila tinha vindo de um «bourgade cupide et bouchée à l’émeri». «Ganancioso e pitosga», verteu o tradutor... Mas não era sobre nada disto que eu queria escrever. No verbete «bazófia» (e não corrigi eu aqui, recentemente, alguém que escrevera «basófia»?), Rebelo Gonçalves, na página 156 do monumental Vocabulário da Língua Portuguesa, anota: «Em Camilo, Bruxa do Monte Córdova, cap. IV (p. 30 da 4.ª ed.), basofeia (com s em vez de z), 3.ª pess. sing.». Num vocabulário, estranhei. Desviando-me um pouco: «bazófia» vem mesmo do italiano bazzoffia, como se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ou terá vindo antes do castelhano?

 

[Texto 939]

Helder Guégués às 14:33 | comentar | ver comentários (19) | favorito
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«Restos/sobras»

E sobejos?

 

 

      Dânia Dinis, nutricionista da Câmara Municipal da Guarda, explicou ao Jornal da Tarde de ontem a diferença entre sobras e restos: «As sobras são os alimentos que são cozinhados mas que não chegam a ser distribuídos, ou seja, cumprem todas as normas de higiene e segurança alimentar e podem ser reaproveitados. Nesta situação, são reaproveitados para famílias carenciadas. Os restos são alimentos que já não podem ser reaproveitados.» Deve ser destrinça de algum manual de nutricionismo, porque quanto ao léxico, restos e sobras é tudo igual — é o que resta, sobra, sobeja de um todo. Esperemos que não tenham ficado com ideias e não inventem um matiz específico para o sinónimo «sobejo».

 

[Texto 938]

Helder Guégués às 09:08 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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11
Jan 12

«Voluntariado/voluntarismo»

Sobretudo desastres

 

 

      «As declarações de Pedro Passos Coelho sobre os professores e o convite à diáspora apanharam muita gente desprevenida. De tal modo desatenta que passou a concentrar toda a atenção num fait-divers. O primeiro-ministro podia ter dito que se deveriam extinguir as corporações de bombeiros em favor do voluntarismo, que não se enviaria nem mais um soldado em missão de paz para o exterior ou que talvez fosse boa ideia passar a trazer-se a merendinha de casa para os serviços da administração pública, de modo a encurtar a hora de almoço — tinha realmente um cardápio de frivolidades à disposição» («Educação e desastres», António Jacinto Pascoal, Público, 11.01.2012, p. 31).

      António Jacinto Pascoal, que é professor de Português e de Língua Portuguesa, devia consultar em três ou quatro dicionários o verbete «voluntarismo». E vejam-me este plural de uma sigla: «Concorde-se ou não, o reforço dos tempos lectivos de áreas das ciências e humanidades do 3.º ciclo e a pulverização das ACND’s têm qualquer coisa de positivo.»

 

[Texto 937]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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