13
Jan 12

«Três ovídeos»?

Muito me contam

 

 

      «A inauguração daquele que a Câmara de Lisboa garante ser “o primeiro jardim sustentável de Portugal” juntou o presidente da autarquia, três vereadores, a presidente da Assembleia Municipal, o executivo da Junta de Freguesia de Benfica e três ovídeos, vindos expressamente do Alentejo para a cerimónia» («Três ovelhas viajaram do Alentejo para Lisboa para participar na inauguração de um jardim», Inês Boaventura, Público, 13.01.2012, p. 22).

      Pode dizer-se desta maneira: três ovídeos, quatro camelídeos, cinco leporídeos, seis cervídeos?

 

[Texto 954]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «leitura»

Ainda não perceberam

 

 

     «Um carro caiu ontem de manhã numa arriba na Praia da Cresmina, no Guincho, concelho de Cascais, provocando a morte da única ocupante, uma jovem com cerca de 30 anos. Segundo o comandante da Polícia Marítima de Cascais, Dário Moreira, suspeita-se que o incidente não foi acidental. “Terá sido uma decisão deliberada e não um acidente, mas esta é uma leitura preliminar, por isso é que se irá proceder à autópsia do corpo para se apurar as causas”, afirmou. O corpo só foi removido ao final da tarde após peritagem da PJ» («Carro cai em arriba e ocupante morre», Público, 13.01.2012, p. 22).

      É acepção que se usa há algum tempo, mas vejam aí nos dicionários que têm em casa: talvez só um a registe.

 

[Texto 953]

Helder Guégués às 21:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Continuam a «replicar»

Pegou de estaca

 

 

      «O presidente da autarquia manifestou o desejo de que este jardim “diferente” seja replicado noutros locais da cidade. “Não estamos em tempo de fazer grandes obras, mas sim pequenas obras que mudem efectivamente a qualidade de vida das pessoas”, concluiu António Costa» («Três ovelhas viajaram do Alentejo para Lisboa para participar na inauguração de um jardim», Inês Boaventura, Público, 13.01.2012, p. 22).

 

[Texto 952]

Helder Guégués às 21:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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13
Jan 12

Sobre «herdade»

Era no Alentejo

 

 

      «As informações mais recentes divulgadas pela imprensa britânica, citando fontes policiais, apontam cada vez mais para a possibilidade de o cadáver encontrado no primeiro dia deste ano, em terrenos da herdade de Sandrigham, Leste de Inglaterra, ser o de uma jovem imigrante letã, de 17 anos, desaparecida desde Agosto de 2011. [...] «Entre a descoberta das ossadas “debaixo da janela” de Buckingham e do cadáver na propriedade de Sandringham mediaram apenas alguns meses» («O mistério das mortes em terras de sua majestade, a rainha Isabel II», Luís Francisco, «P2»/Público, 13.01.2012, p. 10).

      São sinónimos, «herdade» e «propriedade»? Começando por Bluteau: «No Alentejo se dá este nome aos campos que constam de montados, sorvais e terras de pão, e por serem dilatadas e renderem muito, se chamam herdades.» Esta relação com a província transtagana ainda é estabelecida por muitos falantes: herdade é no Alentejo, como machamba* é em Moçambique. Em Morais, «herdade» já não é isso, mas antes o «prédio, casa, quinta ou terra de lavoura». Para o Diccionario da Lingua Brasileira (hã?!), de Luiz Maria da Silva Pinto, nem isso, que a etimologia manda mais: «Bens de raiz de toda a sorte, casa, quinta, etc.»

      Também os dicionários actuais não são consensuais: se todos afirmam que se trata de uma grande propriedade rústica, já nem todos incluem na definição ser composta de montados (que, para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «região povoada de sobreiros ou azinheiras, onde pastam porcos, no Alentejo») e de terra de semeadura.

 

 

      * E porque é que o vocábulo se deixou de escrever com x, maxamba?

 

[Texto 951]

Helder Guégués às 14:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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